Foto: Cristóvão Santos Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Prefeito Rui Palmeira

Pelo que li em uma recente entrevista concedida à Gazeta de Alagoas, o prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), o tucano que comanda os destinos da capital alagoana, possui uma óptica bem particular ao avaliar a futura presença do PSDB nas eleições de 2020.

De acordo com Palmeira, “O PSDB terá candidato a prefeito de Maceió e em outras cidades de grande porte”. Pode até ter, mas vale lembrar que – no que diz respeito a Maceió – os tucanos não possuem nome de peso ainda.

O partido não conseguiu construir novas lideranças e Rui Palmeira não pode mais ir para a reeleição.

Fora isso, no bloco ao qual o prefeito hoje pertence, outros partidos observam essa lacuna na busca por capitanearem a oposição, com o PP do vice-prefeito Marcelo Palmeira. Não que o vice tenha uma expressividade nas pesquisas eleitorais, mas como os tucanos não possuem nome de peso, eis que surge o espaço.

A oposição ao MDB hoje – como reconheceu já o deputado estadual Davi Maia (Democratas), em recente entrevista – é “fraca e desarticulada”. O opositor Maia está coberto de razão. E isso é uma pena para a democracia.

Rui Palmeira – portanto – ou blefa ou então tem uma visão muito singular do processo. Não há nome no ninho tucano que aglutine forças para disputar a capital alagoana. O senador Rodrigo Cunha (PSDB) não será candidato e o próprio Rui não pode ser. É simples assim.

O PSDB tem forças em outras cidades. Em Arapiraca, por exemplo, mesmo com os desgastes perante a opinião pública, o prefeito Rogério Teófilo (PSDB) é um nome que não pode ser desprezado e possui a máquina pública em suas mãos. Tem tempo para se reabilitar e Rodrigo Cunha até acredita que ele consiga.

Rui Palmeira ficará no PSDB e ele é sim uma liderança no partido, mas o ninho tucano paga um preço por suas escolhas em processos eleitorais passados. Em 2018, o próprio prefeito – por exemplo – acabou sendo um “coveiro” da oposição ao abrir mão do papel de articulador que tinha.

Decidiu tarde demais não disputar o governo do Estado, perdeu aliados importantes naquele momento e a oposição ficou parecendo uma colcha de retalhos que tentou se unir em torno do nome do senador Fernando Collor de Mello (PROS) e não conseguiu.

Rui Palmeira tem sua parcela de culpa aí. Ele ajudou – ainda que sem querer – ao MDB fazer barba, cabelo e bigode no processo eleitoral. Tudo indica, portanto, que os tucanos – na disputa futura pela capital alagoana – serão coadjuvantes. É preciso que o cenário mude bastante para que isso não ocorra.

O papel oficial de articulador caiu no colo do senador Rodrigo Cunha (PSDB), que tem aproximação com o deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB), com quem o prefeito de Maceió não se bica. Cunha diz que não tem compromisso com JHC para as eleições futuras e fala em renovar o ninho tucano, apresentando lideranças para o próximo pleito. Mas perguntem a Cunha um nome do PSDB para disputar a Prefeitura de Maceió com chances efetivas diante do atual cenário? Não há!

O PSDB pode testar nome de vereadores, como Kelmann Vieira, ou até mesmo o de Eduardo Canuto, mas para isso terá que combinar com os demais partidos que formam a base de sustentação. O fato é que na base do prefeito Rui Palmeira há muitas siglas, mas nenhuma delas com um nome competitivo até agora. O MDB também não possui esse nome apesar da força do partido de Renan Filho hoje em Alagoas.

O que acaba ocorrendo diante disso? Os nomes de JHC e Alfredo Gaspar de Mendonça acabam aparecendo como os mais cotados, o deputado estadual Cabo Bebeto (PSL) também se lança na disputa e até um grupo da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas pensa em lançar um candidato: o deputado estadual Davi Davino (PP).

Todavia, reitero o que pontuo nesse texto: o PSDB de Rui Palmeira está mais para coadjuvante dentro do grupo do qual faz parte do que para capitanear qualquer processo de aglutinação de forças em torno de um nome. E Rui tem sua parcela de culpa nisso. Não por não ter sido candidato ao governo estadual no passado. Afinal, não ser candidato era um direito dele e pode ser visto como certa a preocupação em continuar com sua administração.

A culpa é por não saber desistir da forma correta, por ter alimentado uma possibilidade de candidatura e depois ter saído de cena sem combinar com os aliados uma alternativa, o que deixou muitos perdidos naquele momento. Alguns até bastante irritados com o prefeito de Maceió, que não viram nele o papel de um líder.

Portanto, quando Rui Palmeira diz – em entrevista à Gazeta – que “o nosso foco, ano que vem, é trabalhar para fazer o sucessor, preferencialmente com nome do PSDB”, eis que esse “preferencialmente” diz muito pouco… e não se espantem se o tucano tiver que acabar engolindo uma aliança indesejável para ele...