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O troféu poderia ser entregue a alguns representantes do baronato empresarial brasileiro, qualquer um desses nomes que foram presos por corrupção. Poderia ser entregue também a Sérgio Cabral, o ex-governador que privatizou os cofres públicos do Rio de Janeiro, provavelmente no maior assalto já visto na história carioca. Não faltam candidatos entre os réus da Lava Jato.

Mas, ao se descobrir os métodos da força-tarefa de Curitiba, não resta dúvida sobre o nome que merece, legitimamente, o primeiro lugar no pódio da pilantragem. Sejamos imparciais, como Sergio Moro nunca foi, e vamos reconhecer o campeão dos campeões entre os doutores dessa investigação que avacalhou as leis do país. Deltan Dallagnol conquista a taça de grande picareta – pelo menos por enquanto.

Escrevo essa homenagem ao menudo das bochechas rosadas inspirado em mais uma reportagem sobre a Vaza Jato. Dessa vez, o veículo “comunista” que também fechou parceria com o Intercept é o jornal El Pais. E quais as novidades? Os diálogos entre os heróis do Ministério Público mostram a ação delinquente cujo alvo é o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.

A patota, que agia sem limite nenhum, arrasando o processo legal de modo criminoso, aparece em êxtase nas conversas, depois de uma notícia sobre contas na Suíça em nome de Paulo Preto, o notório operador do tucanato. Sem qualquer informação, sequer um mísero detalhe, ainda que irrelevante, que vinculasse o episódio a Mendes, dispara-se ofensiva para incriminar o ministro.

As falas são depravadas, como de resto ocorre em todo esse escândalo de proporções até hoje inéditas. Um dos aspectos de maior vilania está no deboche com que esses togados tratam o Estado de Direito, a necessária isenção de quem investiga. Eles tripudiam o tempo todo das garantias de defesa e demais preceitos previstos em todos os códigos e na Constituição.

Diante do conjunto da obra, é assombroso que a conduta desses senhores ainda seja defendida por advogados, empresários, autoridades e jornalistas. Que a corja de retardados bolsonaristas veja tudo com naturalidade é previsível. Inexplicável é a cumplicidade demonstrada por pessoas que têm obrigação de se pautar de acordo com as regras. Só pode ser partidarismo cego.

Moro, Dallagnol, Robito e demais porcarias dessa gang devem ser punidos pelo que fizeram na condução da Lava Jato. Como o campeão de palestras remuneradas aparece de maneira mais desavergonhada, ele se credencia ao título de grande picareta nas armações. Mas é claro que tem um concorrente de peso descomunal – Moro, o suposto magistrado que virou ministro.

Aqueles que deveriam zelar pelo respeito aos princípios legais agiram como uma quadrilha. Por isso desonram o Ministério Público e o Judiciário do país. Ou esse bando cai fora ou as instituições aceitam a própria desmoralização. Seria um passo definitivo para o Brasil decretar a falência dos direitos básicos numa democracia. Esse é o jogo que está sendo jogado desde o começo.