Cortesia ao Cada Minuto Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Novo ritmo musical gera polêmica em Alagoas e grupos de dança defendem cultura

Quem circula pelas regiões periféricas de Maceió já deve ter ouvido falar no ritmo musical brega-funk ou até mesmo na coreografia conhecida como ‘passinho dos malokas’. A cultura que é originada do funk carioca, nasceu na região Nordeste, tem inovado o mercado musical no país e levado o hit até mesmo para palcos de artistas nacionais.

Apesar do sucesso, o Ministério Público de Alagoas (MP/AL) e o Conselho Tutelar da cidade de União dos Palmares resolveram intervir em um evento de dança realizado na cidade no último domingo (28), que teve apoio da Prefeitura do município e do vereador Cajú.

De acordo com o conselheiro tutelar, Alisson Pereira, uma denúncia chegou até o órgão através das redes sociais onde relatava que as letras das músicas e as coreografias do brega-funk eram muito pesadas para o público infantil que estava no local.

“Fomos até o local do evento e constatamos que de fato existem algumas letras e passos que dão a conotação ao sexo, identificamos os organizadores e informamos o que pode e o que não pode e por recomendação do Ministério Público o evento foi encerrado”, disse Alisson Pereira.

Em entrevista ao Cada Minuto, o promotor titular da Vara da Infância da cidade de União dos Palmares, Carlos Davi, informou que o Ministério Público não é contra a atividade cultural de dança, mas sim contra a erotização de crianças e adolescentes.

Carlos Davi destacou ainda que orientou que os eventos podem continuar a acontecendo na cidade, desde que os trechos de músicas que remetam a atos sexuais e drogas, assim como as coreografias com simulação de atos sexuais, sejam suprimidas.

“Enquanto Promotor de Justiça não somos contrários às manifestações culturais, desde que não ofendam à dignidade de crianças e adolescentes, com conteúdo de música remissivos a práticas sexuais e uso de drogas. O objetivo do MP é evitar a erotização de crianças e adolescentes, preservando o desenvolvimento saudável”, afirmou Carlos Davi.

Ainda segundo o promotor, a vara da infância de União dos Palmares e o Poder Judiciário vão editar uma Portaria disciplinando esses eventos em uma semana. Enquanto isso, os organizadores se comprometeram a não realizar nenhum evento.

Já para o jovem Carlos Alexandre, que é integrante de um grupo de dança de brega-funk, é necessário analisar toda a situação, mas não acredita que proibir seja a melhor alternativa “Apesar do preconceito está diminuindo, o brega-funk tem sido vítima dessa prática”.

O conselheiro tutelar, Alisson explicou ainda que não há problemas quanto ao acontecimento do evento, mas regulações precisam serem feitas. “Tanto a criança quanto o adolescente tem direito a cultura e ao lazer, agora precisa se fazer uma regulação do tipo da música e do teor que é expressado através dela, para que tudo aconteça da melhor forma possível”, frisou.

 

Análise Social

A socióloga Rafaela Mendonça, da Faculdade Uninassau, destacou que o fenômeno do brega funk no país pode ser atribuído a democratização da internet. “O ranking do spotify em 2018 mostra que o brega funk foi um dos cinco gêneros musicais que mais cresceram ao longo do ano nas plataformas de músicas e esse pode ser um dos fatores que contribuíram para esse crescimento”.

O jovem Bruno Barbosa, que também faz parte de um grupo de dança e curte a cultura do brega funk, afirmou que o estilo musical tem sua importância social e deve ser notada pela sociedade. “Como qualquer música tem uma importância social, nosso estilo não é diferente, muitas vezes a música se torna o ganha pão para dentro de casa e em outras situações acaba ajudando a afastar o jovem das drogas e até mesmo da depressão”.

Ainda segundo a socióloga Rafaela, a violência, a hipersexualização do corpo da mulher e a insinuação a prática do sexo são formas sugeridas em outros estilos musicais, tanto em músicas mais antigas, quanto em músicas atuais. “Não podemos atribuir isso com exclusividade ao brega funk, pois acabamos incorrendo no erro de marginalizar uma forma de cultura, como se somente esse estilo tivesse práticas como essas”.

Rafaela mostra ainda que é interessante pensar por qual motivo esse estilo musical é apontando desta forma. “É preciso refletir se o brega funk é visto desta forma pelo fato de serem músicas vindo da periferia e vindo de camadas mais populares”. 

Em nota encaminhada à reportagem a assessoria de comunicação do vereador Cajú, que apoiou o evento de brega funk realizado na cidade de União dos Palmares, informou que o intuito de patrocinar o evento foi promover divertimento e benefícios para jovens palmarinos. Ainda conforme a nota, o vereador destacou que não possuía informações suficientes sobre o teor da programação cultural daquela ocasião.

A reportagem tentou contato com a prefeitura da cidade de União dos Palmares, mas as ligações não foram atendidas.

*Estagiário sob a supervisão da editoria