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Na semana que passou, o jornalista Flávio Fachel ocupou o lugar de Willian Bonner na bancada do Jornal Nacional, ao lado de Renata Vasconcellos (foto). Fachel apresentou o telejornal entre segunda e sexta-feira porque, de acordo com a imprensa, o titular esteve doente. Vendo o âncora interino em ação no JN, lembrei de um episódio que ocorreu na TV Gazeta, há quase 19 anos, do qual ele foi um personagem bem controverso. Revelo agora uma história até hoje restrita aos bastidores da TV e da imprensa em nosso estado.

Naquela época, eu exercia o cargo de diretor de jornalismo na afiliada da Globo em Alagoas. Pelo calendário oficial, 2000 foi ano de escolher prefeitos em todo o Brasil; e como sempre ocorre, as emissoras de TV realizariam debates. Foi aí que conheci Fachel pessoalmente. A Globo o escalou para ser o mediador do debate aqui em Maceió. No dia do programa, pintou uma encrenca.

No fim da tarde, a poucas horas do debate, recebo uma ligação do então superintendente da Organização Arnon de Mello, Vitório Malta. Ele me disse que recebera uma informação sobre o mediador e precisava conversar pessoalmente comigo para saber se era necessário tomar alguma providência. Quem trabalha em TV conhece o nível de agitação nas ocasiões de debate eleitoral.

Quando o superintendente chegou à emissora já era por volta de 19h. No meio da correria – e da tensão que cerca a preparação do evento –, cuidando dos últimos detalhes, ouvi de Vitório Malta o motivo de sua preocupação. Segundo ele, fora informado de que Fachel havia se reunido, secretamente, com a assessoria de um dos candidatos. Seria o caso de alguma medida?

Disputavam a eleição os seguintes nomes: Kátia Born (que tentava renovar o mandato), Régis Cavalcante, Paulão, Thomaz Nonô, Manoel Lins Pinheiro e João Caldas. Malta me disse que Fachel havia se encontrado, na véspera do debate, com a principal assessora da campanha do petista Paulão. Ainda segundo ele, soubera que essa informação também havia chegado a outros concorrentes. Só faltava rolar uma confusão, ao vivo e a cores!

A preocupação, para o superintendente, era de que isso levantasse suspeitas quanto à postura do mediador – e por consequência sobre a lisura daquele debate. Ele disse temer que algum dos postulantes levantasse essa “acusação” durante o programa. Era de fato uma situação inédita para mim – que já havia atuado na coordenação de vários debates ao longo de uma década na TV.

Não havia muito a ser feito. Além de comunicar o fato à direção da Central Globo de Afiliadas – que apenas se omitiu a respeito –, resolvi tirar a história a limpo, num telefonema à assessora do candidato Paulão. A jornalista (preservo a identidade) não apenas confirmou o contato com o global, como ainda tirou onda: “Célio, quer saber se passei a noite com ele, é?”. Não, não queria.

A única providência foi tocar o debate. Fachel teve um péssimo desempenho: trocou nomes, inverteu a ordem de perguntas e se enrolou várias vezes com as regras. Nada que pudesse ser visto como favorecimento a qualquer dos políticos ali. A Globo escalou o mesmo mala para mediador no segundo turno. Dessa vez, que eu saiba, sem reunião secreta. Com Régis Cavalcante como adversário, a prefeita Kátia Born se reelegeu com facilidade.