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Dezoito trabalhadores alagoanos, da cidade de Piranhas, fugiram de uma fazenda de café, no município de Boa Esperança, no estado do Espirito Santo, onde supostamente estariam trabalhando em condições análoga à de escravo. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (18) pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) em Alagoas, que irá investigar o caso.

Conforme o MPT/AL, após a fuga da fazenda, onde estariam sendo submetidos a condições de trabalho degradantes, os 18 alagoanos foram resgatados quando viajavam para Alagoas, em uma van clandestina que foi parada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), no município de Teixeira de Freitas, no extremo sul do estado da Bahia.

Ao serem abordados, os trabalhadores explicaram a situação aos agentes da PRF. Eles explicaram que estavam retornando para o Sertão alagoano sem dinheiro e contando com ajuda de terceiros. O grupo foi conduzido para a cidade mais próxima, Eunápolis, para que a unidade do MPT na Bahia tomasse seus depoimentos e providenciasse transporte regular para a cidade de origem dos trabalhadores.

Em depoimento, os trabalhadores relataram que foram recrutados em Piranhas por um homem oferecendo trabalho na colheita de café, com diárias que poderiam chegar a R$ 100. Organizaram, dia 1º de julho, a ida até o Espírito Santo, em um ônibus clandestino, acertando o valor da viagem diretamente com o motorista.

Ao chegar a Boa Esperança, foram alojados em uma casa sem condições mínimas de higiene e sem mobiliário e passaram a trabalhar em atividades diversas, sempre conduzidos por esse homem. Mas as promessas não se confirmaram e os rendimentos pelos trabalhos que fizeram ficavam entre R$ 20 e R$ 50 por dia.

Segundo o relato dos trabalhadores, tanto as ferramentas usadas no trabalho quanto a comida que consumiam estavam sendo pagas por eles, que também tiveram que arcar com os custos da viagem de ida e não tiveram registro da relação de trabalho em suas carteiras profissionais. Até as despesas de aluguel, água e energia da casa que serviu de alojamento para o grupo ficavam por conta dos trabalhadores.

Como estavam ganhando bem menos do que o combinado e ainda tinham que assumir uma série de despesas, os lavradores se voltaram contra o agenciador e decidiram deixar de trabalhar. Tiveram que contar com a ajuda da população local para se alimentar e para conseguir um veículo para levá-los de volta para sua cidade de origem. Com a ajuda de um vereador, eles conseguiram uma van clandestina para conduzir o grupo até Piranhas.

Ao serem abordados pela PRF, em Teixeira de Freitas, e prestarem depoimento até a noite de terça-feira, foi oferecido um ônibus em situação regular para que eles seguissem viagem.

Ao ouvir as pessoas que viajavam na van, os procuradores do MPT Italvar Medina e Lys Sobral decidiram identificar um a um e colher o maior número possível de informações sobre os empregadores e sobre o esquema usado para atrair o grupo e praticar a exploração.

Além do MPT/AL, o caso também será remetido para a unidade do MPT no estado do Espírito Santo com indicação para que, a partir dos elementos colhidos nos depoimentos, sejam identificados o homem que recrutou os lavradores sob falsa promessa de trabalho bem remunerado e as fazendas que se utilizaram dessa mão de obra.

 

*Com MPT/AL