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Eliana Belo Silva escreve:


"Eu sou portadora de diabetes tipo 1 (DM1) uma diabetes rara (cerca de 5% dos que tem essa doença), autoimune (eu já nasci com ela), uma doença crônica, progressiva e sem cura. Embora tendo se manifestado há muitos anos, eu não tenho nenhuma intercorrência e levo uma vida saudável e normal por um motivo: é uma doença que tem tratamento. Não é fácil, tenho que contar carboidratos de cada refeição que faço e liberar insulina para manter o controle. Isso acontece várias vezes por dia e confesso, vou no automático - às vezes errando uma contagem aqui e ali. Faço uso de um sistema de infusão contínua de insulina, uma bombinha que só tiro para tomar banho e que se chama SICI. Tenho um médico endocrinologista que é o melhor do universo (Dr. Celso Ferreira De Camargo Sallum Filho) e posso comprar todos os remédios preventivos que um diabético precisa (como vitamina D, magnésio e vitamina B). Faço exames regularmente e procuro manter uma disciplina sem neuras exageradas, contando com o tratamento da microfisioterapia da minha irmã Elenita Belo Sanchez. Meu marido e meus filhos Daniel e Matheus são treinados há muitos anos - caso eu precise de ajuda; o Anselmo sabe quando eu vou ter uma hipo (que são raras) antes mesmo de eu ter os sintomas. Sou privilegiada. O custo mensal do meu tratamento é alto (não vou escrever aqui); mas só com as duas insulinas que eu uso (saxenda e novorapid) é quase 800 reais por mês. 
A diabetes é silenciosa. Há pessoas que ficam cegas, perdem os pés, fazem hemodiálise e sofrem dores terríveis com neuropatias. Ela não mata “rápido”; ela gera traumas para o doente, para a família e é caríssima para o sistema.
Quando esse governo ameaça retirar o acesso às insulinas de pessoas carentes, sem explicar ou justificar, mostra a intenção nua e crua de um genocídio cruel advindo de um sistema fascista que trata dessa forma as minorias: eliminando-as. 
Se vc não é diabético, saiba que o SUS vai entrar em um colapso maior do que já está quando os milhões de diabéticos insulino-requerentes entrarem em crise por falta de insumos e remédios. 
Fazer política com a vida dos outros é cruel, desumano, vil. Que tristeza esse minúsculo brazil com z que nosso país se transformou."
By Eliana Belo Silva