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Aficionado por situações de tensão, apreensão e ansiedade, o autor escolheu o conto que tem esses elementos em boa dose para dar o título de seu primeiro trabalho publicado, que sai pela Chiado Books.

Situações em que o sigilo, o anonimato – ou a preservação, vendo por outro prisma – garantidos por uma ligação telefônica são elemento recorrente nesse tipo de trama, não são, em rigor, novidade. Pode-se dizer que, desde que telefone é telefone que essa ocultação é, em si mesma, vilã – da literatura ao cinema.

O desfecho é que dá o elemento que torna a trama viva e o leitor, cúmplice o tempo todo, em boa parte sem saber. E o gênero próprio para isso, entende o autor, não poderia ser outro.

Aliás, em “Do outro lado da linha alguém – contos”, os diversos textos têm só no final, às vezes, na última frase, um desenlace, um arremate, o movimento que dá sentido, que permite soltar o suspiro, que faz concordar ou até – e haverá sempre quem o diga – sustentar: “eu sabia o tempo todo!”.

Para o autor, em boa parte, conto é bem isso.

Por ser o primeiro, o autor reuniu vários textos, de temas que vão do suspense a crônicas e reflexões sobre transitoriedade, relações, conflitos. Como diz o texto de apresentação da obra: é quase que um portfólio não só de um gênero, mas, de sua prosa como um todo.

Porém, sem sair de uma base concreta, uma narrativa com personagens, “começo, meio e fim” e na seara que sente ser a que melhor convém a essas discussões: a ficção.

Felipe Farias é jornalista, tem 51 anos e vive em Maceió, Alagoas.