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O relatório Mundial sobre drogas divulgado pelo escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), aponta que cerca de 5% da população adulta, ou 250 milhões de pessoas entre 15 e 64 anos fazem ou já fizeram o uso de drogas. Apesar do alarmante número preocupar as autoridades, o investimento em clínicas de recuperação para estes dependentes ainda não é o suficiente.

De acordo com Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (Seprev), atualmente cerca de 574 dependentes químicos estão acolhidos voluntariamente nas 35 comunidades credenciadas a Rede Acolhe em Alagoas.

Em meio a diversos usuários de drogas é possível encontrar histórias de inspiração e superação, como a da jovem Laís Alves, que em entrevista ao CadaMinuto contou que sua dependência iniciou aos 12 anos quando começou a beber com a mãe, ainda dentro de casa.

“Naquela época era algo normal, aos poucos a minha drogadição ela começou a progredir, e aos 14 anos acabei perdendo a minha mãe e quando meu pai arrumou uma namorada eu meio que me revoltei e para anestesiar aquilo que eu não gostava de ver eu fui usar outras drogas”, contou Laís.

Segundo a jovem Laís, o uso de drogas ilícitas como LSD e lança perfume começou ainda em uma renomada escola particular onde estudava e ao longo do tempo o uso começou a ficar mais intenso.

“Desde que perdi minha mãe, passando pelo início do relacionamento do meu pai, até o casamento dele, esse vício só foi aumentando e eu usava todo essa situação que eu passava como uma justificativa para o uso, mas na verdade não há justificativa para isso, pois culpar o outro é sempre mais fácil”, revelou.

Laís contou ainda que durante o processo de drogadição acabou conhecendo um namorado, com quem teve um filho e afirmou que sua gravidez foi muito conturbada. “Durante a minha gravidez eu consumi muita droga, em especial a maconha, e também consumir muita bebida alcoólica, meu filho nasceu com saúde, porque Deus é muito bondoso e ele teve muita piedade de mim”.

A psicóloga Roseanne Albuquerque afirmou que quando a mãe usa drogas durante a gravidez, é possível que a criança venha ter uma predisposição genética a ser um dependente químico, porque ele já começa dentro da barriga da mãe a receber essas substâncias. “A criança que se desenvolve na barriga desta forma consequentemente vai precisar ser acompanhada pelo pediatra. Tem uma predisposição maior, mas outros fatores somados a estes podem levar o indivíduo a realmente se tornar um dependente químico ativo, que é a questão dos fatores sociais, ambientais, o círculo de amigos, o comportamento familiar e dentre outros fatores”.

Mas foi em meio a uma vida de angustia e sofrimento que Laís Alves acabou conseguindo vencer. “Eu deixei de ser usuária e passei a vender e um dia a polícia esteve a minha procura e já estava cansada de toda aquela situação, e o mais triste ainda é que dois dias depois seria o aniversário do meu filho e eu poderia passar longe dele, pois caso a polícia me encontrasse eu estaria presa, mas naquele momento eu me ajoelhei ao chão e pedi forças a Deus e disse que nunca mais usaria drogas e foi a partir daí que ingressei nos narcóticos anônimos”.

Hoje a quase dois anos e um mês sem consumir nenhum tipo de droga licita ou ilícita a jovem comemora. “Eu não tinha mais sanidade mental, mas venci, porém, a batalha não terminou e toda vez que eu me lembro da minha história, me lembro para onde eu não posso voltar”.

A psicóloga especialista em dependência química, Roseane Albuquerque destaca que depois do tratamento é necessário a manutenção para que o indivíduo não tenha recaídas. “Quando o indivíduo sai do tratamento ele precisa fazer a manutenção, ou seja, ele vai precisar frequentar grupos de autoajuda, psicólogo, cuidar da espiritualidade, praticar exercícios físicos, para que possa ter uma nova maneira de viver”, afirmou.

*Estagiário