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Em agosto acontece na maior instituição de ensino superior pública de Alagoas a eleição para os cargos de Reitor e Vice-Reitor. Em muito breve saberemos os principais nomes na disputa, daqueles que anseiam pela gestão no quadriênio 2020-2024.

A escolha de quem comandará a universidade nos próximos quatro anos segue um processo diferente das eleições tradicionais para prefeitos, governadores e presidente da República. Realiza-se uma consulta entre professores, servidores técnico-administrativos e estudantes, tradicionalmente com cada um desses segmentos representando um terço do total dos eleitores, independentemente do respectivo colégio eleitoral.

Após apurada a consulta, o Conselho Superior Universitário (CONSUNI) elabora e aprova uma lista tríplice com base na classificação no pleito, correspondendo a vontade da comunidade. Ela, portanto, é encaminhada ao Ministério da Educação para que o Presidente da República proceda com a nomeação dos novos gestores. A escolha do nome que comandará a universidade é uma prerrogativa do chefe do executivo federal. Geralmente, leva-se em consideração a vontade da consulta realizada e, num ato de respeito ao resultado e numa demonstração de espírito democrático, autoriza-se a publicação da nomeação da chapa mais votada entre os três segmentos durante o pleito.

No entanto, sabemos que o contexto em que essas eleições para os cargos executivos nas universidades estão acontecendo é de elevada instabilidade institucional e fortes restrições econômicas, com bloqueios de recursos orçamentários, contingenciamentos, cortes financeiros etc.

Desde 2015 que as instituições de ensino superior públicas federais já sofrem com a redução de recursos econômicos, mas foi com a posse do novo governo que isso ganhou contornos mais dramáticos, em cima de uma base já estreita na qual as universidades se ajustavam para honrar compromissos com despesas e investimentos, mantendo as condições necessárias para seu funcionamento e o mínimo adequado para atingir suas finalidades com o ensino, a pesquisa e a extensão. Para acentuar o problema, a gestão política no Ministério da Educação assumiu, efetivamente, uma postura persecutória com o sistema público de ensino superior sob sua responsabilidade.

Provavelmente esse deve ser um dos piores momentos para as universidades brasileiras desde o período do regime de governo ditatorial, passando pelo encilhamento financeiro da década de 1990, quando elas amargaram um ostracismo jamais visto e praticado na gestão pública federal, especialmente imposto, paradoxalmente, por um professor universitário alçado à presidência do país.

É nesse contexto que acontecerá a eleição na UFAL, instituição que enfrentou uma expansão de sua infraestrutura com a criação de novos campi pelo estado, aumentou o número de cursos de graduação e pós-graduação, estendeu suas ações em várias direções às comunidades, elevou a prestação de serviços culturais, educacionais, de saúde etc. e precisa, ainda, de muitos investimentos que ajudem a corrigir problemas, consolidar especialmente cursos de pós-graduação, enfim que precisa encarar vários outros desafios inerentes ao seu próprio crescimento.

Entretanto, isso tudo está ameaçado de não acontecer em função do arcabouço institucional e político nacional que estreita, sumamente, a capacidade de elaborar, planejar, executar, acompanhar e avaliar programas, ações e projetos; também porque o quadro interno tende a se acirrar politicamente na eleição que se avizinha. Tudo que a UFAL nessa conjuntura não deveria enfrentar, por mais que os problemas de hoje e de ontem, os atritos entre os grupos políticos e as inúmeras insatisfações e decepções se avolumem com o passar dos anos.

Os ataques às universidades, os questionamentos às formas de seu funcionamento, o desprezo pela ciência e seus resultados e a perseguição às atividades docentes, tudo isso exige um enfrentamento por parte da comunidade acadêmica que seja balizado na humildade em reconhecer vários dos nossos defeitos, a necessidade de novas formas e modernas maneiras de se comunicar com a sociedade, a urgente elevação do nível de eficiência das atividades produtivas, inclusive acadêmicas, e uma maior conexão entre a capacidade de produzir conhecimento e fazer ciência com as demandas imediatas da sociedade local, sem necessariamente desprezar o desenvolvimento das pesquisas básicas.

Portanto, a UFAL nesse momento precisa se unir em torno de um projeto comum que não abra mão de princípios que, bem ou mal, fizeram das universidades brasileiras importantes protagonistas no desenvolvimento socioeconômico brasileiro, tais como: ensino público e gratuito; formação de jovens com ampla capacidade para enfrentar os desafios do mercado de trabalho e de uma massa crítica de elevada qualificação para continuar contribuindo com a ciência brasileira e seu desenvolvimento tecnológico; e, não menos importante, uma forte inserção social e interação com segmentos produtivos, governos municipais e estadual e outras instituições de ensino superior e pesquisa de Alagoas, a exemplo da UNEAL, UNCISAL, Instituto Federal, Embrapa e Centros Universitários.

Ao próximo Reitor ou Reitora da UFAL caberá uma responsabilidade muito maior do que aquela que todos os anteriores reuniram: sua equipe deverá se superar tecnicamente; empreender uma modernização institucional nos limites que as Leis impõem ao funcionamento do serviço público; e, administrar os recursos observando, criteriosamente, mais do que em qualquer época, prioridades que façam a instituição subir nos indicadores de qualidade e competência.

As principais linhas que devem adotar os novos gestores serão: aglutinar a vontade de transformar a UFAL nesse difícil momento da vida brasileira, garantindo os muitos avanços alcançados em administrações anteriores; liderar um processo de gestão técnica e de elevada competência; e, buscar apoios externos, necessários e importantes, para fortalecer a instituição e garantir novos investimentos.

A UFAL conta com pessoas que reúnem essas qualidades, com grandes possibilidades de enfrentar as adversidades da atual conjuntura. Oxalá que possamos emergir muito mais fortes desse processo.