Fotos: Vinícius Firmino/Ascom Assembleia Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Deputada Ângela Garrote abriu pronunciamentos

A greve dos jornalistas alagoanos contra a redução de 40% no piso salarial, proposta pelas maiores empresas de comunicação do estado, repercutiu na Assembleia Legislativa durante a sessão desta terça-feira (25), quando vários deputados registraram solidariedade à categoria.  

Primeira a usar a tribuna e vestindo preto, em apoio à greve, Ângela Garrote (PP) fez um breve histórico das discussões que culminaram na paralisação de hoje. “É inaceitável a proposta de redução, que desvaloriza os trabalhadores responsáveis por levar os fatos à sociedade, em contraposição às notícias falsas que têm provocado tanta desinformação e ódio”, destacou.

“Não há democracia sem imprensa independente, sem jornalistas. Não é sem motivo que a primeira medida de todas as tiranias é a censura dos meios de comunicação”, prosseguiu a parlamentar, exibindo uma plaquinha com a #Reduçãosalarialnão.

“Esses donos de empresas deviam ter era vergonha... Não tem justiça que vá dá direito a elas. As empresas são iguais aos aviões... Descubram a caixa preta delas e vão ver os contratos. Não é pouco...”, disse a deputada, ao encerrar o pronunciamento.

Jornalismo e democracia

No primeiro aparte, Davi Maia (DEM) destacou que não defende interferência na iniciativa privada, mas acredita que a tentativa de três grupos empresariais de impor a redução de piso é ilegal e não será aceita “por nenhum juiz do mundo”. O deputado também sugeriu ao Sindicato dos Jornalistas que cobre do Governo do Estado o pagamento do piso aos assessores de comunicação, como já ocorre na Prefeitura de Maceió.

Também vestindo preto, Davi Davino (PP) fez uma homenagem diferente aos jornalistas, citando nominalmente os assessores de imprensa de cada um dos parlamentares da Casa. “Demonstramos claramente nosso apoio a esses jornalistas que tanto lutaram para alcançar um salário digno... Esta Casa está representando todos os jornalistas neste momento”, pontuou.

Destacando que a redução é inaceitável, Francisco Tenório (PMN) defendeu que o piso precisa melhorar, jamais reduzir. Inácio Loiola (PDT) defendeu a necessidade de um entendimento, uma ponderação entre empresas e profissionais, lembrando que Alagoas é exemplo de jornalistas competentes no país.

Cibele Moura (PSDB) destacou o movimento grevista pacífico e legítimo iniciado nesta terça-feira, classificando a proposta de redução de “absurda” e uma perda não só para jornalistas, mas para toda a sociedade e para a democracia.

Léo Loureiro (PP) reforçou a ligação entre jornalismo e democracia e disse que se há democracia hoje no País, grande parte dela se deve aos jornalistas. “Vivemos uma crise, mas o maior fardo dela não pode ser colocado na parte mais frágil. O trabalhador não pode ser penalizado. É preciso discutir onde cada um pode ceder”, completou.

Flávia Cavalcante (PRTB) lembrou que a redução do piso não impacta apenas na renda familiar, mas, sobretudo na desvalorização da categoria, que é a voz da sociedade. Lembrando que cursou a faculdade de jornalismo, o líder do governo na Casa, Silvio Camelo (PV), também se solidarizou com a categoria.

Piso e Fake News

“Se ainda discutíssemos teto, mas as empresas estão discutindo piso... Como vai tirar o chão? Não vi empresário desses trocar carro 2019 por 2015 para passar pela crise... Ao invés de tentar melhorar a empresa, quer reduzir salário... Qual a lógica? Se quiserem reduzir, reduzam primeiro os ganhos. O piso é base, não se reduz”, analisou Cabo Bebeto (PSL), também em aparte ao pronunciamento de Ângela Garrote.

Neto de jornalista, Galba Novaes (MDB) disse que a situação de hoje deixava a todos tristes e garantiu que a Casa, por meio do presidente Marcelo Victor e dos demais deputados, estava unida no propósito de defender a categoria.

Pontuando a inadmissibilidade de desvalorizar os jornalistas, principalmente na era das Fake News, Ricardo Nezinho (MDB) frisou a necessidade do bom jornalismo e questionou o suposto baixo faturamento das grandes empresas para justificar a drástica redução.

Marcelo Beltrão (MDB) reforçou que os jornalistas não abram mão da conquista do piso e não deixem que colegas cedam: “Mantenham-se firmes com os deputados alagoanos ao lado de vocês neste momento triste vivido pelo jornalismo alagoano”.

Mais pontes

Já nas explicações pessoais, Jó Pereira (MDB) também usou a tribuna para defender os jornalistas: “Uma imprensa livre e forte sempre foi e será sempre um dos pilares da democracia. Portanto, fragilizar o jornalismo é, de certo modo, emudecer um pouco a voz de toda a sociedade, abafar o eco dos gritos dos mais necessitados e permitir que erros, injustiças e crimes se perpetuem com mais comodidade”.

A deputada alertou para a importância da construção de pontes entre empregados e empregadores, vitais no exercício dos novos tempos. “O abrupto ineditismo de uma proposta de redução em 40% do piso de uma categoria, com certeza, não é construção de pontes... Qualquer redução salarial, qualquer mudança negativa em patamares anteriormente conquistados, sem pontes, será sempre rechaçada”, pontuou, acrescentando que tais pontes se constroem com “diálogo, realismo e com a apresentação de dados e fatores socioeconômicos”.

#ReduçãoSalarialNão