Foto: Marco Antônio/ Secom Maceió Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Zé Mocó.

Todas as fogueiras já estão acesas e o São João de Maceió já está tomando conta da cidade. As comemorações já começaram, em uma série de ações realizadas pela Prefeitura, por meio da Fundação Municipal de Ação Cultural (Fmac), e serão estendidas até o fim deste mês junino. Neste ano, os festejos juninos da capital estão homenageando Mestre Zinho e Zé Mocó, dois representantes do tradicional forró alagoano.

São José da Laje, município alagoano fronteiriço a Pernambuco, é um pacato lugar que fica cerca de 98 quilômetros distante de Maceió. Esta cidade produziu alguns filhos que podiam, e podem, até ter personalidades pacatas, mas que eram donas de uma música feita com o coração. São José da Lage pariu Clemilda, por exemplo, a rainha do forró, que é citada, sempre, como uma das grandes intérpretes da história do forró, ao lado de nomes como o de Luiz Gonzaga e o de Marinês.

Nas mesmas paragens, bem na metade da década de 60, nascia Carlos Martins, que ficaria conhecido, algum tempo depois, como Zé Mocó. Dono de uma voz marcante, de desenvoltura no triângulo e de habilidade na sanfona, ele foi um dos mais ativos forrozeiros de Alagoas, levando sua música a muitos municípios do estado e chegando a romper, ainda, as fronteiras para fazer festa em outros estados do Nordeste.

Ano passado, vitimado por uma apendicite tardiamente diagnosticada, Zé Mocó faleceu aos 52 anos e deixou para trás muita gente triste, como Zé de Princesa, seu parceiro há décadas. Querido por todo o segmento dos forrozeiros na comunidade cultural, Zé Mocó era um dos mais ativos dirigentes da Associação dos Forrozeiros de Alagoas (Asforral): e sua imensa contribuição para o setor é o que justifica a verdadeira orquestra sertaneja, com dezenas de sanfonas, zabumbas e triângulos, que se fez em seu funeral.

Entretanto, além de gente triste, Zé Mocó deixou por aqui uma bela obra, que reúne alguns discos que mostram suas características de afiado intérprete e de astuto compositor. Um dos seus últimos trabalhos, em 2017, foi o álbum “Zé Mocó canta Trio Nordestino”, onde interpretava as inesquecíveis canções desse grande grupo de forró, que é um dos mais importantes de todos os tempos. Uma bela voz, marcante, é o que chama a atenção no disco. É a voz de Zé Mocó.