Vinícius Firmino/Ascom ALE Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Deputado Davi Maia

O deputado estadual Davi Maia (DEM) protocolou um requerimento à Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Alagoas para que os presidentes da Companhia de Saneamento (Casal) e da Agência Reguladora de Serviços Públicos (Arsal), Clécio Falcão e Ronaldo Medeiros, respectivamente, sejam convidados a prestar esclarecimentos, na Casa, sobre os reajustes na tarifa de água e esgotamento sanitário dos últimos anos.

Na sessão desta terça-feira (11), Maia usou a tribuna para registrar que, com o aumento de 6,22% - noticiado pelo CadaMinuto na semana passada - que entrará em vigor no começo de julho, entre 2015 e 2019, os reajustes chegam a 66%, levando o alagoano a perder o poder de compra equivalente a 50 mil litros de água.

 “É um aumento maior que o gás de cozinha e que a gasolina, no mesmo período... Se a Casal mantiver a média, em 15 anos a conta vai subir quase 200% e o salário mínimo não chegará a aumentar 99%... Preocupa-me que daqui a pouco o alagoano tenha que trabalhar somente para pagar essa conta... Enquanto a Equatorial, privatizada, anuncia diminuição da tarifa de energia elétrica, a Casal anuncia aumento atrás de aumento”, disse o parlamentar, criticando também o fato de o reajuste não ter sido divulgado amplamente à população pelo Estado, sendo publicado apenas no Diário Oficial.

O deputado divulgou ainda dados de uma pesquisa contratada pelo seu gabinete, onde o Instituto Datasensus ouviu 1201 pessoas em Maceió, entre os dias 2 e 3 de maio, sobre os serviços prestados pela Casal: “O estudo mostrou que 46,2% dos entrevistados acham os serviços de abastecimento de água péssimo, ruim ou regular... Em relação ao tratamento de esgoto, os números são ainda piores, 78,9% dos entrevistados acham que o serviço de esgoto é péssimo, ruim ou regular”.

Lembrando que a tarifa de Alagoas é uma das mais caras do país e que a pesquisa foi realizada antes do novo reajuste tarifário de 6,22%, Maia prosseguiu informando que 56,5% das pessoas ouvidas acham o serviço da Casal caro e 40% são favoráveis a privatização da companhia.

“...Estão tendo lucro nas costas do contribuinte sacrificado de Alagoas. O governo de Renan Filho sacrifica basicamente o cidadão que recebe um salário mínimo”, completou Davi Maia.

Em aparte, Cibele Moura (PSDB) disse que lhe entristece saber que o aumento na tarifa irá recair sobre o alagoano mais pobre e defendeu que os assuntos privatização e a atuação da companhia sejam seja discutidos de forma séria e responsável no parlamento.

Aumento de preço dos insumos

Em nota encaminhada por sua assessoria de Comunicação, a Casal destaco que o reajuste da tarifa ocorreu após estudos econômicos feitos pela própria companhia, que apontaram aumento de preço nos insumos usados, a exemplo da energia elétrica e dos produtos químicos para tratamento da água.

A nota frisa que esses insumos, em geral, têm reajuste acima da inflação do IPCA, que avalia os produtos para o consumidor final. “Os produtos químicos usados pela Casal são muito específicos. Já a energia é consumida em grande escala pela Companhia, que possui grandes conjuntos motobombas. A Casal é o maior cliente da Equatorial em Alagoas, ou seja, é o cliente que, individualmente, mais precisa de energia”, diz um trecho do documento.

Segundo a Casal, o estudo completo foi encaminhado e analisado pela Arsal, antes da agência reguladora autorizar o reajuste. “Vale lembrar também que, para quem consome até 10 metros cúbicos de água por mês, ou seja, 10 mil litros, quantidade suficiente para abastecer uma família de quatro pessoas, o reajuste vai significar menos de R$ 3 por mês. Vai passar dos atuais R$ 46,80 para R$ 49,71 (isso para quem não dispõe de rede coletora de esgoto). Numa mesma residência com quatro pessoas, a conta de energia em geral é bem maior que esse valor”, conclui a nota.