Maciel Rufino/CM/Arquivo Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Deputado Davi Maia

O deputado estadual Davi Maia (DEM) já mostrou ser oposição ao Governo dentro da Assembleia Legislativa de Alagoas. Para ele, algumas obras divulgadas nas redes sociais do governador Renan Filho estão “abandonadas” e não fazem parte da política de governo. Em entrevista ao Cada Minuto, Davi também fez críticas ao Fecoep (Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza) e disse que dentro da Casa não há assinaturas para criar uma CPI do Fecoep.

Maia também fez duras críticas ao governo de Jair Bolsonaro e disse que a própria família Bolsonaro atrapalha a gestão. Além disso, Davi também falou sobre o IMA não ter capacidade de fiscalizar nenhum processo de mineração do estado.

Confira a entrevista abaixo:

 

1)      Você já mostrou ser oposição ao governo dentro da Assembleia. O que de fato você acha desse atual governo do estado?

Eu fiz campanha e venho combatendo algumas coisas que eu acho errado no Governo, principalmente na área ambiental. Fica claro que não existe uma política ambiental no governo Renan Filho. Desde que fui secretário de Meio Ambiente que vim fazendo essa crítica, me elegi, não votei no governador. Me elegi na oposição, mesmo sendo uma eleição única. Não poderia, a partir do momento que chegasse à Assembleia ir pra base do Governo que eu vinha fazendo essas críticas. Temos acompanhado aqui alguns projetos, como o canal do sertão, o Pólo Tecnológico, fiscalizando hospitais e temos vistos que algumas obras que eram tão divulgados, na verdade, estão abandonados e não fazem parte da política de governo. Sem dúvidas, o Canal do Sertão é o mais crítico.

2)      Um dos pontos que os parlamentares sempre falam é do Fecoep. Vocês pretendem criar a CPI do Fecoep? Como está esse andamento?

O Fecoep tem sido um tema bastante debatido na casa. O Fecoep é pago pelo povo alagoano. Toda vez que você paga uma conta de luz, abastece o carro ou compra um perfume no supermercado, você está pagando o Fecoep. Esse fundo que há três anos tinha uma arrecadação de R$ 60 milhões e hoje tem uma arrecadação de R$ 260 milhões por ano, ele aumentou demais e tá pesando mais nas costas do contribuinte. E ele não está sendo bem utilizado. Por exemplo, o Canal do Sertão, não tem nenhum envolvimento com irrigação. Projeto de combate à pobreza, lá no Sertão, programa do leite que está paralisado e prejudicando o consumidor e o agricultor familiar. Programa das sementes que eram 12 milhões de sementes por ano, esse ano caiu pra 6. Isso mostra que não é prioridade do governo. O que está sendo feito com esse recurso? Essa é a cobrança diária. As cestas nutricionais também eram distribuídas no governo Téo Vilela. É uma crítica e falta de transparência. Porém, CPI, a gente não tem número para assinar, não tem número de deputados para assinar, é algo inviável.
 

3)      Quais são os projetos que você traz para a Assembleia?

Eu trago basicamente a pauta ambiental, especialmente a coleta seletiva. Conseguimos fazer o maior projeto de coleta seletiva do Brasil, em Maceió. Fazendo de uma maneira diferente. O PT ficou acostumado a oferecer uma bolsa aos catadores, uma ajuda de custo. Em Maceió mudamos a forma de fazer. Nós pagamos as cooperativas e geramos emprego e renda. Desta forma não tem interdependência entre o Poder Público e as cooperativas. O cooperado oferece um serviço e o município contrata. Hoje já tem 18 mil casas e esse projeto, queremos levar para todo estado de Alagoas. Além do ICMS verde, que foi uma pauta minha. Busco pela transparência do meu mandato para que as pessoas saibam como eu gasto, quanto eu gasto e pra quê eu gasto. As pessoas podem até não gostar do meu pensamento e ideias, mas eu tenho obrigação de dizer a elas o que penso e como eu as represento. Fiz isso muito claramente na eleição. Uma delas foi a privatização da Casal, estou brigando e defendo até hoje. Outras é o estado mais enxuto por isso criamos a Frente pela Liberdade, a primeira bancada da Casa, unindo deputados liberais e conservadores. Deputados que entendem de economia e querem reduzir o custo e o gasto do Poder Executivo.
 

4)      Qual a sua opinião sobre governo do Jair Bolsonaro?

O governo tem um economista que é o melhor economista do Brasil. Algo que é tão bom e ao mesmo tempo ruim. Eles mesmo, a família Bolsonaro, atrapalha a gestão do governo, a interlocução política é muito ruim. É um conservadorismo exacerbado, só mudamos a pauta da ideologia. Deixou de ser um socialismo para ser um conservadorismo e eu critico muito isso. A vida das pessoas não tem que ter ingerência do estado, não tem que o estado andar se metendo nas decisões pessoais de cada um e o governo se mete demais e o que é pior: o governo acaba tornando as pautas pequenas em pautas grandes. Nesse momento não era para estarmos debatendo ideologia de gênero ou esse tipo de questão. Era pra gente está preocupado com a Reforma da Previdência. Eu acho que os pequenos debates que não vai mudar a vida do país se tornam gigantes e desgastando o governo. Com tudo isso, o governo ainda consegue a sua bancada, a do PSL, consegue fazer confusões, muitas vezes influenciadas pelos próprios filhos do presidente. Eu estou pouco me lixando pro que o Olavo de Carvalho vai falar ou vai dizer, ou o que o Carlos Bolsonaro acha, eu estou preocupado com o que o Paulo Guedes acha e o que Sérgio Moro vai fazer. Não o que a Damares fala que menino veste azul e menina veste rosa. Os ministros da educação são desastrosos na educação, apesar de eu achar que o governo deve gastar muito mais com educação básica do que com o ensino superior, a forma como você expressa isso é um problema. O governo não tem discurso, ele só tem ataques e isso é muito ruim. Eu fico triste porque acho que a direita está perdendo uma grande oportunidade de mostrar um novo caminho. Quando me perguntavam por que eu não apoiei o Bolsonaro eu dizia que o Jair não estava pronto para tomar conta do país. Nós tivemos os melhores candidatos, como o Amoedo e que não foram eleitos.

5)      Como você avalia o incentivo do Governo Federal para os estaduais?

Eu acho que é pouco. A prova é a quantidade de creche que a Dilma construiu pelo país e nunca terminou. Acho que as prefeituras precisam ser avaliadas e a educação estadual. Eu gosto do IDEB, porém, eu também acho que a maneira do investimento federal é diferente. O governo federal prefere investir em quê? Universidades e institutos federais. Ela já é por si só selecionadora. Só está investindo em 20% da população. Os 80% que não conseguiram chegar lá já abandonaram. O gasto com ensino superior é muito alto e pouco resultado, e o investimento em educação básica e fundamental é muito baixo. A União inverteu os papéis. Por isso que temos uma evasão escolar tão grande e por isso que as pessoas não conseguem ultrapassar esse problema. Acho que temos que chegar sim, em ensino superior, investindo em pesquisa.

6)      Você se arrependeu de ter votado no Jair Bolsonaro?

Eu votaria 20 vezes no Bolsonaro e nenhuma vez no Haddad. Eu não tenho arrependimento nenhum. O país vinha em processo de decadência. O Bolsonaro não começou com a crise, quem começou com a crise que foi o Lula quando elegeu a Dilma. É lógico que o presidente que assumisse o país pegaria esse problema. Porém, os problemas econômicos que são os maiores desse país que ele colocou a melhor pessoa do mundo para tomar conta. Sobre as manifestações, por exemplo, eu nunca vi quem tá no poder fazer manifestação. Quem faz manifestação é quem está na oposição. É direito da oposição reclamar. Era pro governo mostrar na prática como se faz e ele tem oportunidade disso. Apesar do governo, a reforma da previdência vai ser aprovada e acho que as coisas vão melhorar.

7)      Você passou muito tempo atuando no meio ambiente. Como avaliou as criticas do MPF feitas contra ao IMA sobre ausência de fiscalização na Braskem?

Primeira pessoa que denunciou isso aqui foi eu em uma audiência pública da Braskem. Quando um geólogo terceirizado veio representar o IMA. O IMA não tem capacidade de fiscalizar nenhum processo de mineração do estado. Eles não têm equipamento e os técnicos se aposentaram. Não existe concurso e nem política ambiental no IMA. O IMA tem sim responsabilidade, ele tinha a necessidade de pelo menos auditar.

 

 *Estagiário sob a supervisão da editoria