Foto: Minuto Sertão/Arquivo Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Trecho do Canal do Sertão

“Sou uma obra fruto de uma política pública de desenvolvimento e serei, durante décadas, testemunho de quem fez e de quem deixou de fazer pela população do semiárido... Governos passam, políticos passam, anos passam, mas políticas públicas estruturantes que me proporcionaram existência são decisivas nas transformações que essas pessoas têm direito”.

Se o Canal do Sertão, a obra mais cara da história de Alagoas, falasse, seria dele a frase acima. Foi o que disse a deputada estadual Jó Pereira (MDB) em pronunciamento na sessão de terça-feira (4), na Casa de Tavares Bastos, quando alertou que o Canal é muito importante para “se transformar em mais um elefante branco no país”.  

O tema veio à tona no discurso no qual a parlamentar repercutiu as demandas apresentadas e os alertas dados por agricultores alagoanos na carta aberta resultante do 8º Encontro Estadual de Sementes Crioulas, realizado no final de maio, em Igaci. 

Entre os pontos citados pelo grupo no documento, estão a preocupação com a transgenia no Canal do Sertão e a contaminação de águas pelo uso de agrotóxicos. Os agricultores reunidos no evento pleitearam a delimitação de áreas livres de transgênicos no Canal, para produção irrigada de sementes crioulas, e em território dos bancos comunitários de sementes.

Cobrando ações e manutenção contínuas, prioridade para o Canal do Sertão e parcerias com entidades e até países, a exemplo de Israel, Jó lembrou que hoje existem novas tecnologias capazes de tornar a obra - que representa uma garantia hídrica para inúmeras cidades e povoados - mais produtiva e mais transformadora da realidade.

Ela frisou que, a cada trecho construído, esses avanços tecnológicos vão potencializando a capacidade de transformação da obra. Hoje, a cada semana, a cada mês, surgem novas tecnologias, muito superiores àquelas de 30 anos, 20 anos, cinco anos e até de meses atrás, quando inauguraram outros trechos e adutoras oriundas do Canal.
    
Segundo Jó, se o Canal do Sertão falasse, diria também: “Não sou fim e sim meio, não sou obra de arte e sim obra estruturante... A minha beleza estará no sorriso de quem, através de minhas águas, transformou sua vida e a vida de sua comunidade... Os sertanejos e os agrestinos não são apenas números estatísticos populacionais, e lamentavelmente atualmente, com reflexos do passado, contribuidores em indicadores negativos de educação, saúde, condição social e de renda, e sim são pessoas que têm o direito as transformações em suas vidas por meio de políticas públicas, como a que sou...”. 

Vão ouvi-lo?