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Uma das doenças mais comuns no Brasil, a hipertensão atinge 24,7% de pessoas nas capitais brasileiras. Os dados são de um levantamento feito pelo Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2018), divulgado no mês de maio deste ano.

Na pesquisa, em que 52.395 de pessoas foram ouvidas, um grupo de entrevistados, equivalente a 60,9% e com idade superior a 65 anos, afirmaram ser hipertensas. Já no grupo de pessoas com idades entre 45 e 54 anos, 49,5% também afirmaram sofrer de hipertensão.

Ainda conforme a pesquisa, a hipertensão, popularmente conhecida como “pressão alta”, atinge mais pessoas nas capitais do Rio de Janeiro, Maceió, João Pessoa e Vitória. No Nordeste, a capital a alagoana fica em primeira colocação nos índices da doença, já que 26,6% dos maceioenses são hipertensos.

Também conforme o levantamento, entre as mulheres, a quantidade de hipertensas seria de 26,8%, enquanto os homens 26,3%. Por outro lado, São Luís, Porto Velho, Palmas e Boa Vista são as capitais com menor incidência de hipertensão entre seus habitantes.

Segundo os primeiros dados levantados pelo Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, no ano de 2017, o Brasil registrou 141.878 mortes devido a hipertensão ou a causas relacionadas à doença. Isso significa que 388,7 pessoas morreram todos os dias. De acordo o ministério, a maioria dessas mortes pode ser evitada e 37% delas ocorrem de maneira precoce, ou seja, em pessoas com menos de 70 anos de idade.

Um dos maiores vilões da hipertensão é o sal de cozinha. Isso porque o seu principal componente é o sódio, presente também em alimentos industrializados. Dados do ministério revelam ainda que, embora 90% dos homens e 70% das mulheres consumam mais sal do que o máximo recomendado, 85,1% dos brasileiros adultos consideram seu consumo de sal adequado.

Sobre a doença
Em entrevista ao portal CadaMinuto, a cardiologista Maria Alayde Rivera  contou que a hipertensão, também conhecida como HAS, é uma doença crônica caracterizada pela elevação persistente da pressão arterial para níveis iguais ou acima de 140x90 mmHg.

Segundo a doutora, não há uma causa específica para se obter a hipertensão, entretanto, há doenças renais, da tireóide, da aorta, dentre outras, que podem levar à HAS.

Questionada sobre como são os sintomas da doença Maria Alayde explicou que na maioria das vezes a HAS não determina sintomas em curto prazo. Em longo prazo causa danos aos vasos arteriais do coração, dos rins e do cérebro, podendo levar à insuficiência cardíaca e  renal,  ao infarto do miocárdio e ao acidente vascular cerebral. Em hipertensos, a elevação aguda e importante da pressão pode gerar falta de ar, dor no peito, palpitação, cefaléia intensa, dentre outros sintomas.

"A HAS é uma doença do envelhecimento; aos 20 anos apenas 5% das pessoas terá HAS e aos 80 anos mais de 50% serão hipertensos. Há uma predisposição familiar para a HAS e há fatores que contribuem para que ela apareça mais cedo ou com mais gravidade: consumo excessivo de sal e de álcool, excesso de peso, uso crônico de corticoides e anti inflamatórios, dentre outros", contou. 

Alayde conta que para se prevenir da doença é preciso ter o controle dos fatores acima.  Ela disse ainda que o diagnóstico da doença é realizado através da medida da pressão arterial e o tratamento com medicamentos  antihipertensivos.

Maria Alayde alertou que é preciso ter cuidado com a HAS durante a gestação, pois existe uma hipertensão própria da gestação que quando nao é diagnosticada e tratada pode levar à morte materna e fetal.

Sobre a relação de hipertensão e pobreza a cardiologista disse que nos pobres, a HAS é diagnosticada mais tardiamente, o tratamento pode ser inadequado pela falta dos medicamentos e isso pode levar a mais complicações e maior taxa de mortalidade.

Prevenção em Maceió 

Em entrevista ao CadaMinuto, a assessoria de Comunicação da Secretária Municipal de Saúde  (SMS), informou que, por meio da Gerência de Doenças Crônicas, promove a educação permanente dos profissionais da Atenção Básica; ações educativas em grupos que acontecem dentro das Unidades de Saúde voltados a esta temática, encaminhando os usuários hipertensos aos núcleos de atividade física, que estão ligados às unidades de saúde.

“Quando o paciente hipertenso apresenta alguma alteração, podendo trazer complicações à sua condição de saúde, as Unidades de Saúde podem encaminhar para o Centro de Referência em Doenças Crônicas (CDOC), voltado ao tratamento de pacientes com Diabetes, Obesidade e Hipertensão, que funciona no Bloco B do Pam Salgadinho, seguindo os critérios da estratificação de risco dos pacientes”, explicou a assessoria. 

Além disso, “o CDOHC, que conta com uma equipe multiprofissional e Interdisciplinar, que tem a proposta de estabelecer uma linha de cuidados para pacientes das três doenças que causam mais morte em adultos, de modo a acolhê-los e prestar atenção integral a esse usuário”, contou.

Dessa forma, com a linha de cuidados, pode-se estabelecer uma trajetória do paciente dentro do SUS e cada profissional estará capacitado para realizar intervenções de forma organizada e integrada com ações direcionadas para acolhimento, vínculo e responsabilização no encaminhamento desses pacientes”, alegou.