Maciel Rufino/Cada Minuto Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Cláudia Petuba

Movimentos estudantis, posicionamento político forte, candidaturas políticas, gestão no executivo. As páginas vermelhas do CadaMinuto Press dessa semana trazem uma entrevista especial com a ex-presidente do PC do B e atualmente Secretária de Estado do Esporte, Lazer e Juventude, Claudia Petuba, que avalia os quase cinco anos à frente da pasta, mas também as polêmicas, cobranças e planos políticos para um futuro próximo. 

CM : O governador Renan Filho entrou no seu segundo mandato e você é um dos poucos gestores que estão desde o começo. Como avalia os primeiros anos e como estão os planos para este segundo momento?

CP: Primeiro eu gosto sempre de agradecer a oportunidade que o Governador Renan Filho me proporcionou de poder estar junto com a nossa equipe para atuarmos pelo desenvolvimento do esporte alagoano. Foi um grande desafio porque a secretaria não existia e é importante destacar que foi um compromisso de campanha do nosso Governador em criar um órgão para desenvolver o esporte e a juventude em Alagoas. Pegamos um trabalho inicial, não existia nenhum tipo de politica consistente, programas em andamento. Tudo isso foi desafiador e nós conseguimos lançar uma série de programas e projetos, como o Na Base do Esporte, que hoje atende 3 mil pessoas na capital, em regiões mais vulneráveis. É o primeiro programa social esportivo do Governo de Alagoas, primeira vez que o esporte é usado como instrumento de prevenção à violência, mas também temos ações como Bolsa Atleta, Taça das Grotas, Copa Rainha Marta, Jogos Paralímpicos, um apoio contínuo para mais de 30 modalidades distintas e a nossa meta para o segundo mandato é ampliar essas ações, para que cada vez mais um número maior de alagoanos possam praticar atividades esportivas, tanto na perspectiva de prevenir os índices de criminalidade, como também evitar uma série de doenças que são ligadas ao sedentarismo. Não praticar atividade faz mal a saúde e nós precisamos contribuir para que a qualidade de vida seja ampliada na nossa sociedade.

CM – A Secretaria do Esporte, Lazer e Juventude tem diversas frentes de atuação, seja na capital ou no interior. Mas o Estádio Rei Pelé concentra muito da atenção. Como tem sido conciliar essas ações?

CP: Tem sido uma experiência muito positiva por termos uma equipe altamente engajada e comprometida. Nosso time é pequeno, mas todo mundo veste a camisa e isso garante que possamos dar conta do serviço. Primeiro, acham que nós apenas administramos o Estádio Rei Pelé. Outras gestões fizeram isso e para o esporte, é pouco. Embora muitas pessoas se preocupem apenas com o Rei Pelé, nós criamos outro equipamento esportivo que é o Centro Estadual do Esporte e Lazer (Ceel) no Bebedouro e compreendemos a importância da ampliação do número de equipamentos esportivos, mas não podemos descuidar de outras modalidades. O futebol é a modalidade mais praticada por uma parcela da sociedade. Hoje o maior número de pessoas não pratica nenhum tipo de modalidade ou apenas acompanha, e muitas vezes é porque não tem relação com o futebol e precisa conhecer outras modalidades. Por isso nós administramos no nosso cotidiano, a administração do Rei Pelé, mas também fomentar e desenvolver outras modalidades. Um aluno nosso do programa Na Base do Esporte no Osman Loureiro, tinha alguns problemas de saúde e o médico recomendava que ele precisava praticar atividades físicas, mas ele não se identificava com futebol, vôlei, com esportes tradicionais e nós conseguimos levar ele para o taekwondo.  Ele se identificou, praticava apenas por qualidade de vida e hoje virou atleta de destaque, conquistando medalhas em nível local, regional e nacional. Entendemos que essa democratização do acesso às diversas práticas esportivas é um grande desafio e a gente procura levar atividades para o interior e diversifica as atividades com as modalidades.

CM Press – O Estádio Rei Pelé, por sinal, tem recebido atenção especial por conta do acesso do CSA para a Série A. Na mesma medida dos investimentos, cobranças tem sido feitas por dirigentes de clubes, políticos e torcedores. Como avalia o trabalho que está sendo feito e as cobranças?

CM: As cobranças são naturais e saudáveis em vários aspectos. O governador Renan Filho pede que nós tenhamos o maior nível de proximidade e transparência possível, logo, nós fazemos uma gestão aberta para que não só o público como um todo, mas principalmente os envolvidos, se sintam à vontade. Por isso mantemos perfis nas redes sociais, temos um site e procuramos manter contato com as pessoas porque avaliamos que é muito saudável que as pessoas possam contribuir. Obviamente algumas críticas são desarrazoadas e motivadas politicamente. Algumas pessoas se aproveitam da agenda do Estádio ou do esporte para fazer valer outros interesses políticos. Esse tipo de críticas, tanto não contribuem para o trabalho, como fazem mal para o desenvolvimento do esporte como um todo. Nós pedimos, chamamos as entidades, para saber quais são as sugestões, e assim possamos melhorar, dia após dia.

CM - Como avalia essa polêmica do projeto para troca do nome do Estádio Rei Pelé para Rainha Marta?

CP: Eu avalio como extremamente positiva. As vezes a gente não se dá conta da grandiosidade que é a Marta. Não conseguimos mais citar o nome a Marta sem colocar o "Rainha" antes. Nós não damos conta que ela não é apenas a melhor jogadora de futebol, mas a principal personalidade do futebol mundial. Nenhum homem ou mulher ganhou tantos títulos como ela. E a Marta não se destaca apenas no futebol. Ela é considerada a principal mulher, praticante de esporte entre todas as modalidades esportivas e qual Estado tem isso? Alagoas! Acredito que precisamos dar a nossa parcela de contribuição, para que não apenas o mundo reconheça esse papel, mas também a sua casa. Quanto ao Rei, é um privilégio do brasileiro, ter o país do Rei e da Rainha. O Pelé sempre será o nosso Rei. O nosso Estádio é o único com o nome dele e falo para a turma, que não precisamos ter divergências quanto a isso. Pode ser a casa do Rei e da Rainha. Nós estamos tentando transformar, deixar de ser apenas um Estádio para ser um complexo esportivo, já foi licitado, a empresa foi contratada para construir aqui uma piscina semiolímpica, quadra, espaço de lutas e em breve vamos precisar renomear o Estádio, que deixará de ser apenas um Estádio para se tornar um complexo e nada mais oportuno que aproveitar esse momento para fazer a homenagem mais justa, que é dar ao espaço, o nome da principal personalidade do futebol mundial. E não temos no mundo um Estádio com nome de mulher. Podemos dar uma contribuição importante, combater uma injustiça histórica, de termos a principal modalidade praticada apenas por uma parcela da população, que são os homens e democratizar o futebol para de fato, todos e incluir as mulheres.

CM - Durante esses quase cinco anos à frente da secretaria, em alguns momentos surgiram rumores de troca de gestão. Como administrar esse tipo de informação e continuar atuando normalmente?

CP: Primeiro isso é normal dentro desse tipo de espaço. Nós ocupamos um cargo que é político, logo, objeto de cobiça de muitos grupos políticos. Nós temos a alegria de termos encontrado um espaço que não existia, que não tinha ações e conseguimos mostrar o valor dele, o quanto pode ser útil e ajudar a resolver os problemas da sociedade. Muitas pessoas não enxergavam esse potencial, tanto que na composição dos governos, geralmente os grupos políticos que fazem parte da base aliada, geralmente não tinha muito interesse e hoje vejo que esse interesse cresceu e isso é um sinal positivo, que nós estamos conseguindo mostrar resultados e que outras pessoas passaram a desejar também. Quando surge esses rumores, focamos ainda mais no trabalho para dar mais resultados positivos em prol da população.

CM : Além de gestora, você é integrante de partido político, o PC do B, que representa um posicionamento de esquerda. Acredita que uma nova esquerda pode ser capitaneada, sem ser pelo PT?

CP: Com certeza, até porque o PT não é um partido essencialmente de esquerda. Acho que o problema do Brasil não está em fazer uma dicotomia entre direita e esquerda. Nós temos hoje o Brasil retrocedendo de maneira acelerada no Governo Bolsonaro. Nós precisamos encontrar homens e mulheres dispostos a mudar a realidade do país, independente da legenda ou sigla que carreguem. O principal na minha avaliação, é que essas pessoas sejam comprometidas com o povo e as questões sociais, porque o Governo federal atual, está mais preocupado em cortar direitos, diminuir a prestação dos serviços públicos, para atender um parcela do empresariado. É importante investir na iniciativa privada, precisa ser fomentada e incentivada, mas a parcela que mais precisa de atenção, é justamente o setor mais necessitado, as pessoas que precisam de emprego, grande problema do nosso país, precisam de casa, comida, educação e nesse ponto especialmente, precisamos destacar que o problema não é o debate entre esquerda e direita e sim entre as pessoas que querem o desenvolvimento ou o retrocesso. E o desenvolvimento não necessariamente está com a esquerda. Aqui em Alagoas, o Governador Renan Filho, quando acabar o mandato dele será uma das principais personalidades políticas do nosso país, graças a sua clareza e compreensão de saber que precisa trabalhar pelo povo mais necessitado.  Nós temos um Governo em Alagoas que tem um traço fortemente social. Precisamos de políticos desse perfil, para resolver os entraves a nível nacional.

CM – Você já foi presidente do partido, candidata a vereadora e atualmente Secretária de Estado. Quais são os planos e pretensões políticas para um futuro próximo?

CP: Primeiro, eu não faço política pensando apenas no meu umbigo e nas minhas vaidades pessoais. Fui formada politicamente, fazendo política de maneira coletiva, dentro de um conjunto de opiniões, tanto que nas vezes que fui candidata ou deixei de ser, foi sempre uma decisão conjunta, amadurecida, respeitosa e transparente, dentro do nosso partido. O PC do B vem desenhando um projeto eleitoral para 2020 e estamos procurando ousar, debatendo desde a possibilidade de lançar uma chapa majoritária na nossa capital, como também uma chapa proporcional bastante competitiva e o meu nome está à disposição do partido e caso avaliem de maneira oportuna e necessária, eu possa estar contribuindo com o nosso partido a ajudar a desenvolver a nossa capital.

Veja o vídeo da entrevista:

 

*Estagiário sob supervisão da editoria