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Carlinhos Maia, o alagoano mais influente do mundo, está no centro de uma desavença existencial com Whindersson Nunes, o piauiense mais influente do mundo. Nosso conterrâneo tem 27 anos de idade; seu agora desafeto é três anos mais jovem. A crise avassaladora entre os dois artistas se deve ao fato gravíssimo de Whindersson ter rejeitado o convite para ser padrinho do casamento de Carlinhos. O casório, aliás, levou Alagoas ao topo do noticiário em todo o Brasil.     

Na grande imprensa, o caso incendiou as editorias que cuidam dos assuntos relacionados à vida dos influenciadores digitais – a quintessência do culto a celebridades. Parece, segundo dizem os jornalistas, que o pano de fundo do terremoto é o ciúme. Os dois se tornaram rivais na arte de conquistar seguidores nas redes sociais. O cara do Piauí estaria chateado com a avalanche de curtidas e mensagens que tornou o alagoano um nome de peso no cenário internacional.

“Influente” é todo aquele que exerce o poder de influenciar opiniões, gestos e atitudes de terceiros. A influência pode ser para o bem ou para o mal. O que será que muda na rotina de um influenciado por Carlinhos ou Whindersson? É uma pergunta para ensaios e estudos acadêmicos. Os dois jovens nordestinos, por caminhos e estilos diversos, são mais ou menos a mesma coisa: comediantes. Por alguma razão – metade elementar e metade metafísica –, milhões de pessoas amam os dois.      

Eu falei mais ou menos a mesma coisa, mas acho que são mesmo uma coisa só – comediantes, humoristas, palhaços. Como eu disse, artistas. Vieram ao mundo com o talento de contar piada de um jeito que arrasta multidões. A dupla acaba de protagonizar um programa de TV, ao lado do também comediante Tirulipa, num verdadeiro triângulo equilátero. Ainda segundo o jornalismo investigativo, o clima entre o alagoano e o ex-amigo começou a azedar nos bastidores do programa.

“Comédia” é tudo aquilo que você acha engraçado, seja no teatro, no cinema, na literatura, no meio da rua ou, sobretudo, na tela do seu celular. O jornalismo ostenta uma veia cômica, quase sempre explorada de modo errado, na hora errada, com o assunto errado. Mas talvez eu esteja misturando assuntos. Não sei. Se você vira jornalista de TV, aprende que toda reportagem tem de “acabar pra cima”. Isso significa que o repórter tem de dar um jeito de fazer gracinha no desfecho da “matéria”.

“Jornalista” é todo aquele que, em diferentes funções, trabalha para relatar em detalhes um episódio, um acontecimento, uma novidade, uma grande história, uma “bomba”. Por exemplo: a polêmica provocada pelo vestido que uma influenciadora digital usou no casamento. Suponho que muitos leitores devem achar esse tipo de assunto de uma banalidade quase criminosa. O difícil é saber onde estão esses leitores, uma vez que a gracinha continua em alta no jornalismo.

Como você percebeu, não chegamos a lugar nenhum sobre esse tsunami que invadiu e agora mobiliza os maiores veículos de comunicação do país. Mas o fenômeno está aí, em nossa cara, assim que batemos o olho no noticiário. Sem uma ideia minimamente organizada sobre a dimensão e o impacto do racha entre Carlinhos e Whindersson na vida dos brasileiros, suspeito que devo parar por aqui. Antes, acrescento que certas coisas parecem novidade, mas existem desde o princípio de tudo.