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Discutir ações, proposições de políticas públicas e alternativas para amenizar os problemas sofridos pelos portadores de Fibromialgia foi o objetivo da audiência pública realizada nesta quinta-feira (23), no Plenário Silvânio Barbosa, em Jaraguá. O debate foi de iniciativa da vereadora Fátima Santiago. Além da sociedade civil, foram convidados membros da Associação Nacional dos Fibromiálgicos (ANFIBRO), da Associação dos Fibromiálgicos de Alagoas (AFIBAL), da Secretaria Municipal de Saúde, médicos especialistas, pacientes diagnosticados e representantes do Ministério Público e da OAB.

 

A médica especialista em dor, Sandra Santos, mostrou que a Fibromialgia atinge entre 0,7 a 5% da população mundial. No Brasil, o percentual é de 2,5% e 3% da população e, na maioria dos casos, mulheres de 34 a 44 anos de idade.  A doença se caracteriza por fadiga, distúrbios do sono, rigidez nos músculos, parestesias das extremidades (formigamento), distúrbios cognitivos. Depressão, ansiedade, síndrome da fadiga crônica, síndrome do cólon irritável também são sintomas. As principais causas da doença são traumatismo emocional ou físico, exposição excessiva à umidade ou ao frio, resultado de uma doença infecciosa ou viral, após artrite reumatoide ou lúpus eritematoso, alterações emocionais, fatores genéticos, entre outros.

 

A vice-presidente da Casa e propositora da audiência, Fátima Santiago, falou da importância de dar mais visibilidade ao tema que ainda é desconhecido por muitos. “Já tramita nesta casa um projeto de lei que requer a extensão do atendimento preferencial para pessoas acometidas por essa síndrome. Apesar de afetar 2,5% da população mundial – na grande maioria mulheres, a síndrome ainda é desconhecida e desacreditada por muitos que convivem com quem dela sofre e até mesmo por médicos. É comum que pessoas com os sintomas procurem médicos de várias especialidades até obter o diagnóstico” declarou a parlamentar.

 

Arivane Costa, presidente da Associação dos Fibromiálgicos de Alagoas, professora e também portadora da doença, relatou a dificuldade que é continuar com sua vida profissional e o convívio em sociedade devido às dores e disse que audiências públicas, para discutir assuntos como este, trazem esperança para quem luta contra a Fibromialgia. 

 

“Quando comecei a sentir os sintomas diziam que era virose. Depois de algum tempo, fui a um médico e ele disse que iria fazer exames e que eu deveria procurar um reumatologista porque estava com fibromialgia. Os profissionais que precisei ir não queriam me dar licença, alegavam que eu tinha condições de trabalhar. No início, eu não aceitava a doença, mas ela afetou meu cérebro, passei a ter dificuldades para ler, isso prejudicou minha profissão e me fez entrar em depressão, já que eu amava ser professora. Os custos dos medicamentos são caríssimos e quem não tem plano não conseguem se tratar. Por isso, a AFIBAL se preocupa com essas pessoas que tanto sofrem e não têm condições de arcar com os tratamentos. Essa audiência nos dá a oportunidade de sonhar, nos trás esperança para uma possível melhora” frisou.

 

Maria Aparecida Pimentel, membro da Associação Nacional dos Fibromiálgicos, também é portadora da Fibromialgia e destacou a necessidade de um tratamento diferenciado para uma doença como esta.  “A vida de um fibromiálgico não é fácil, é uma doença complexa, difícil e a dor é o cargo chefe. Perdemos nossa vivência social, nossa capacidade de trabalho. Nós temos sensibilidade ao calor, ao frio, síndrome do intestino irritável, infecção urinaria e insônia. A fibromialgia mata um pouco a cada dia, é preciso um tratamento diferenciado e o fato de não ter cura desespera qualquer um” disse ela.

 

MULTIDISCIPLINAR - A neurologista, Dra Giselle Oliveira, a nutricionista, Viviane Barbosa, o educador físico, José Amauri e a psicóloga, Andréa Adriana, também estiveram presentes na audiência e destacaram a necessidade de um tratamento composto de profissionais de diversas áreas. A prática de exercício físico, como a hidroginástica, o acompanhamento de um psicólogo e a implementação de estratégias alimentares adequadas são fundamentais para proporcionar uma melhor qualidade de vida para esses pacientes.   

 

Cosmélia Folha, presidente da Comissão de Fortalecimento do Controle Social da OAB, destacou que a divulgação desta doença é fundamental para que profissionais saibam como recepcionar pacientes e para que políticas públicas sejam efetivas. Disse ainda que a Comissão está disposta a acolher quem sofre com esses sintomas e precisa de auxílio.

 

No encerramento da sessão, a vereadora Fátima Santiago frisou a necessidade de um diagnóstico e tratamento mais acessíveis, para que pacientes com fibromialgia e que não têm condições financeiras de bancar o tratamento tenham o direito garantido de uma melhor qualidade de vida. "Esse momento mostrou que não existe apenas uma luz no fim do túnel, mas um clarão de possibilidades, para que, ao unirmos forças dos Poderes e segmentos, possamos garantir mais qualidade de vida aos pacientes diagnosticados com essa síndrome ainda tão pouco conhecida por muitos", finalizou.