Foto: Carla Cleto Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Hospital Geral do Estado (HGE)

Gestores de alguns hospitais e unidades de saúde do interior e um funcionário do Hospital Geral do Estado denunciaram nesta segunda-feira (20), ao CadaMinuto, a ocorrência de uma espécie de operação “corredor limpo” no HGE. Segundo os denunciantes, para evitar a superlotação, estaria valendo tudo, desde a negativa em receber pacientes graves transferidos do interior até a alta médica para doentes que deveriam continuar internados.

A médica Marta Mesquita, gerente do HGE, refutou as denúncias: “Não existe nenhum movimento de não internar quem precisa e de dar alta a quem não tem condições de receber alta”. Ao responder aos questionamentos da reportagem, a gerente acabou trazendo à tona denúncias graves da existência de um “comércio ilegal” praticado por alguns servidores, na época em que os corredores da unidade hospitalar estavam lotados.

“O funcionário que denunciou deve estar incomodado com os corredores limpos, porque quando eram cheiros era muito bom para alguns servidores, que ganhavam dinheiro com maca, colchão e até papelão... Mas, acabei com o comércio e há vários processos abertos na Polícia Civil para investigar os fatos”, contou, sem entrar em detalhes sobre como funcionaria o esquema.

Projeto Lean

Segundo a gerente, o número de internamentos e atendimentos aumentou no HGE há cerca de sete meses, desde que o Hospital passou a integrar a rede de unidades hospitalares contempladas com o projeto “Lean”, iniciativa do Ministério da Saúde em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, visando reduzir a superlotação e o tempo de espera dos pacientes para realização de exames, para o recebimento de medicações e transferência, por exemplo.

“Esse projeto, para reduzir as superlotações, é todo feito baseado em indicadores de tempo. Não existe nenhuma recomendação de que se dê alta a quem não tem condições de alta, nem que não se interne quem precisa internar... Muito pelo contrário, tem sete meses que o Lean chegou ao HGE e de lá para cá aumentou nosso número de internamentos e de atendimento, são cerca de 100 pessoas a mais por dia, mas devido à nova organização os corredores estão limpos”, completou, lembrando que a unidade hospitalar recebe aproximadamente 150 ambulâncias diariamente, de todo o estado, e segue de portas abertas para todos.

Frisando que “nenhuma das denúncias procede”, a médica disse que está disponível 24 horas para atender a qualquer gestor, inclusive os que estejam reclamando que o HGE não está recebendo pacientes, “já que isso é uma inverdade que provavelmente deve ter conotações políticas por trás”.

Samu

Os denunciantes, que preferiram não ter as identidades divulgadas, também afirmaram que o Samu estaria sendo impedido de realizar transferências de hospitais do interior para o HGE quando não há leitos disponíveis.

“O Samu só faz transferências entre hospitais, seja HGE ou qualquer outro, se confirmar a vaga. Agora mesmo temos um paciente em Viçosa precisando de UTI. Não temos vaga na UTI, mas estamos nos organizando para recebê-lo na área vermelha. É questão de organização do Samu, do HGE e de qualquer instituição... Não vamos colocar o paciente na estrada por horas para quando chegar aqui ele ainda ter que esperar o leito”, explicou Marta, lembrando que cabe aos municípios garantir a assistência do paciente até que o Hospital Geral possa recebê-lo.

Por meio de sua assessoria de Comunicação, o Samu informou que os procedimentos de transferência ocorrem com o aval do médico solicitante - do hospital de origem - para o outro hospital, inclusive HGE, e confirmou que primeiro verifica-se a disponibilidade de leito. Dependendo do quadro de saúde, o paciente pode ser transferido para outro hospital que não seja o HGE.