Ascom ALE/Arquivo Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Deputado Ronaldo Medeiros

O ex-deputado estadual Ronaldo Medeiros (MDB) não apenas assumiu a Agência Reguladora de Serviços Públicos de Alagoas (ARSAL). Como novo presidente do órgão, é válido lembrar que Medeiros também assume um incrível passivo de problemas que resultaram na saída do ex-presidente Laílson Gomes, o indicado do PDT.

Se causados pela administração de Gomes ou não, é algo que ficou não muito bem esclarecido e que – muita gente – faz questão de varrer o passado para baixo do tapete. Todavia, é fato que Gomes deixou o cargo debaixo de acusações e o fez – mesmo tendo sido ele que entregou a carta pedindo a exoneração – porque a situação ficou insustentável.

A ARSAL, nos últimos tempos, foi ladeira abaixo. O próprio PDT – nas palavras do ex-deputado federal e secretário de Agricultura, Ronaldo Lessa – saiu da presidência falando que a Agência, atualmente, não consegue cumprir sua principal atividade: a fiscalização.

Motivo? Segundo Lessa, a morosidade do governo estadual em nomear os fiscais. É que a ARSAL é composta praticamente por comissionados e terceirizados. A situação era tão gritante que, ao final do ano passado, a ARSAL teve que pedir socorro ao governo do Estado para fechar as suas contas, caso contrário teria energia elétrica, telefones e água cortados, além de não conseguir pagar os funcionários.

A ARSAL se tornou o retrato do Estado-empresário: quando dá lucro, ninguém ouve falar. Mas, quando o prejuízo vem, aí – como ente estatal – é preciso ser socorrido pelo dinheiro do contribuinte. Como o dinheiro é público, é preciso que o Estado adote transparência em relação ao órgão, já que muito do ocorrido nunca foi devidamente esclarecido.

Na Agência, surgiram denúncias de farra de diárias, de um contrato suspeito com uma terceirizada e de uma disputa de poder entre grupos políticos que se acusavam, mas que faziam parte do mesmo governo: o de Renan Filho (MDB). Não lembro de ter ouvido a voz do governador sobre o assunto.

As acusações pesaram tanto que Laílson Gomes – em entrevista à imprensa – disse que apresentaria um dossiê sobre as práticas que encontrou na Agência. Isso nunca foi feito. O ex-presidente nega qualquer irregularidade em sua administração e diz que foi fritado (em outras palavras) porque combateu antigas práticas. O ex-deputado federal Ronaldo Lessa fez coro ao discurso de Gomes.

Quem é o grupo? Quais foram as práticas supostamente combatidas por Laílson Gomes? Pois é! A tendência é que com “nova administração” o assunto morra! É comum um político dizer que não quer caça às bruxas, então deixa tudo no passado. Não se trata de caça às bruxas, mas sim de coisa séria. É válido frisar que o Medeiros que hoje assume, quando deputado estadual, também tinha influência na Agência e chegou a indicar cargos.

Não há nada demais nisso, mas apenas friso para mostrar que algum conhecimento sobre a ARSAL Ronaldo Medeiros já possui. Deve saber, portanto, exatamente onde está pisando. Estranho também é o fato de que os acontecimentos na ARSAL nunca chamaram atenção dos deputados estaduais, que são pagos para – entre uma série de atividades – fiscalizar. Vale lembrar que uma das denúncias foi bater no Ministério Público.

É claro que, assumindo agora, Medeiros não tem responsabilidades sobre o passado. Porém, tem a hercúlea tarefa de colocar as coisas nos eixos. Inclusive, fazer da ARSAL o que ela é: uma fiscalizadora. Caso contrário, sem fiscalização – em especial no transporte público – teremos a troca de favores por meio do lobby de grupos de pressão. Quem duvida que, na ausência de corpo profissional, isso já não esteja acontecendo.

O silêncio do Executivo seria um indicativo do tamanho de sua preocupação com o assunto? Espero que não!

Em declaração à jornalista Vanessa Alencar, o novo presidente Ronaldo Medeiros disse estar tranquilo, ciente e consciente do desafio. Ele se diz até otimista. Medeiros enfatiza que dará o seu melhor. Espero que se concretize.

Medeiros ainda coloca que pesquisou muito sobre a atuação de outras agências reguladoras brasileiras e está “cheio de ideias que ajudarão muito os usuários e consumidores de gás natural canalizado, do transporte rodoviário intermunicipal de passageiros e do abastecimento de água em Alagoas”. Aguardemos.

Gomes – quando assumiu a ARSAL – disse que colocaria a Agência no local onde ela nunca esteve. De certa forma, ele conseguiu. Que as novidades trazidas por Medeiros não tenham o mesmo rumo...e que o presidente novo possa mostrar por A mais B os gargalos que encontrar e os motivos da tragédia que não ganhou a atenção merecida por parte do próprio governo.

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