Foto: Leonardo Cedrim Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true CSA

A torcida do CSA foi barrada para o jogo de seu time contra o Flamengo pelo Brasileiro da Série A. Por tudo o que sabemos sobre futebol, o confronto com o time carioca era o mais aguardado pela galera que torce pelo Azulão. O clube alagoano vendeu o mando de campo e levará a partida para o estádio Mané Garrincha, em Brasília. O duelo ocorre em 12 de junho, bem longe do Trapichão.

Para explicar a decisão, a diretoria do CSA falou o óbvio. Os cartolas azulinos fizeram o que todos os cartolas, de todas as cores no país, fazem. Tudo dentro das regras, de acordo com o que prevê o regulamento da competição. Reforçar o caixa com cifras extraordinárias, com uma simples troca do local do jogo, é uma oportunidade imperdível. A grana preta compensa o desgaste com a massa.

Nas redes sociais, como não poderia deixar de ser, há gente esbravejando contra a presidência do time. Isso é uma tremenda novidade. Rafael Tenório vive uma lua de mel com os torcedores, salvo engano, desde que virou presidente. Ele disse que haverá solução para os casos de sócios que teriam direito ao ingresso da partida, até então prevista para ocorrer em Maceió. É pra conferir.

A venda do mando de campo não é exclusividade dos times menos badalados, distantes da elite financeira. É uma prática generalizada. Um dia desses, pela Copa do Brasil, Vasco e Corinthians voaram até Manaus para um duelo na arena construída para a Copa do Mundo de 2014.

Em anos anteriores, treinadores como Cuca, Mano Menezes e Luxemburgo estiveram no centro desse debate. Afinal, é razoável, em troca de dinheiro, deixar sua própria torcida na mão? Há quem veja na iniciativa boa dose de desrespeito. E como fica o princípio da isonomia na disputa pelo título?

Por essa linha, o fator dinheiro interfere – nesses casos de maneira insofismável – decisivamente nos rumos da tabela de classificação. No exemplo concreto, em Brasília o “mando” será do Flamengo – afinal o estádio ficará entupido de flamenguistas. O mercantilismo de ocasião desequilibra as forças.  

Rafael Tenório – que já se aborreceu ao ser chamado de “político” por um blogueiro – não apresentou números, não detalhou as formas de pagamento, não disse afinal quanto entrará nos cofres da agremiação. Mas, num jeito enviesado, deu pistas sólidas que autorizam especulações.

Não vou repetir aqui o palavrório do presidente, que vi na TV, na noite desta terça-feira. Resumindo, baseado na comparação que ele fez com os jogos anteriores em casa (contra Palmeiras e Santos), podemos chutar o seguinte: o CSA está levando cerca de 2 milhões de reais. E bola pro mato.