Fotos: Vinícius Firmino/Ascom ALE/Arquivo Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Deputados em plenário

A votação de dois projetos polêmicos que estavam em pauta sessão desta terça-feira (14), na Assembleia Legislativa, foi adiada. Depois de uma longa discussão acerca do Projeto de Lei que regulamenta a venda e o consumo de bebidas alcóolicas em estádios e eventos desportivos, a segunda votação da matéria foi adiada, a pedido do deputado Antonio Albuquerque.

Logo em seguida, a primeira votação do PL, de autoria de Albuquerque, rebatizando de “Rainha Marta” o Estádio Rei Pelé, também foi adiada, desta vez a pedido de Bruno Toledo (PROS).

Toledo é autor da proposta das bebidas alcóolicas, que vem repercutindo, dentro e fora da Casa, desde que foi aprovada em primeira votação, na semana passada. A aprovação da matéria rendeu até notas de repúdio por parte da Província Eclesiástica Alagoas e da Rede Cristã De Acolhimento e Recuperação do Dependente Químico.

Na sessão de hoje, a polêmica prosseguiu com vários discursos favoráveis e contrários ao PL. Relator do parecer favorável a matéria na Comissão de Constituição, Justiça e Redação, Davi Maia (DEM) usou a tribuna para defender a constitucionalidade do projeto e apresentar dados que comprovariam a falta de relação entre o consumo de álcool e a violência nos estádios, como uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

“A pesquisa traz o seguinte dado alarmante: durante os seis anos da proibição a média de ocorrências por jogo aumentou... No período anterior à proibição (2005-2009), foram 619 ocorrências em 207 jogos. No período da proibição, o número subiu para 744 ocorrências em 168 jogos”, disse Maia, argumentando que a violência no futebol tem relação direta com o envolvimento de grupos criminosos camuflados nas torcidas e não com o consumo de bebida alcóolica.

Ao defender seu projeto, Toledo também ironizou o fato da discussão ter se tornado um “tema religioso”, em referência as notas divulgadas pela Igreja Católica: “Cheguei a me sentir um herege”, disse, acrescentando que, a julgar por alguns dos argumentos, àqueles que discordam da proposta gostariam de criminalizar o consumo de bebidas alcóolicas em geral no país.

Os deputados Cabo Bebeto (PSL) e Cibele Moura (PSDB) também voltaram a se posicionar favoravelmente ao projeto de lei.

Já a deputada Jó Pereira citou vários pareceres contrários à liberação da venda e do consumo das bebidas nos estádios, lembrando que o álcool é vetor e pode potencializar atos de violência. Ela também argumentou que a proposta é inconstitucional.

Também contrário à matéria, Ricardo Nezinho (MDB) voltou a discorrer sobre o problema do alcoolismo no país e apresentou dados nacionais apontando a influência do consumo de álcool no aumento da violência e no número de acidentes de trânsito, por exemplo.