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O jornalista Vagner Fernandes, do Rio de Janeiro escreve:


"Temos dificuldade para contar a história que os livros não contam, porque, desde sempre, houve interesse nesse apagamento de registros que pudessem contestar as versões eurocêntricas das narrativas. Como as discussões que versam sobre Palmares e a maior representação negra da história brasileira, com o 13 de maio não é diferente. Isabel, a princesa, não seria a tal progressista como nos acostumamos a reconhecê-la. Tratava mal os próprios escravos, ficou enfurecida quando da aprovação da Lei do Ventre Livre pela Câmara e nos libertou em 1888, porque se viu pressionada com as rebeliões nas senzalas e pela opinião pública. Isabel não era flor que se cheirasse, a doce libertária que a Imperatriz Leopoldinense tratou de alçar ao posto de heroína em desfile, consagrando-se vencedora no Carnaval de 1989, ano do centenário da República. A figura de Isabel sempre gerou controvérsias. Mas nos ensinaram a idolatrá-la. Afinal, não dariam nunca crédito aos pretos que se rebelaram e botaram ela para sancionar a Lei Áurea, após a anuência do Congresso. É bom que saibamos que, na real, Isabel, a que assinou a “lei divina”, fez tudo na marra. Talvez resida aí o motivo por que hoje, assim como o 20 de novembro, não seja feriado nacional. A abolição, atribuída a Isabel e pela qual ainda lutamos, foi parida, verdadeiramente, pelos próprios escravos e abolicionistas."