Novo Milênio e Museu do Porto de Santos Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true O peso do subdesenvolvimento no Brasil persiste.

É a divisão internacional do trabalho que define o grau de desenvolvimento e riqueza dos países. São justamente os setores econômicos de destaque, a composição da balança comercial e a produtividade da população que dizem se um país é desenvolvido ou atrasado.

Para simplificar essa equação, podemos dizer que o tamanho do atraso do Brasil pode ser medido em quilos e toneladas; pode ser medido pelo peso que os trabalhadores carregam em sua labuta diária.

Ainda que dignidade não tenha preço e que o ser humano seja um fim em si mesmo, o labor de um trabalhador rural, de um cortador de cana, de um catador que puxa sucatas para vender no ferro velho, de um estivador do cais do porto, de um “chapista” que descarrega caminhão, sempre será mais pesado e mais exaustivo que o labor de um médico, de um engenheiro, de um administrador, de um corretor de valores ou de um burocrata.

Somos, desde sempre, um país onde o trabalho é pesado, extenuante e que exige o sacrifício físico de seu povo. De certo que trocamos nossa cesta de exportação: se antigamente exportávamos pau-brasil, açúcar, borracha, algodão e café, hoje somos mais conhecidos pelo comércio mundial de proteína animal, soja e comodities minerais. Contudo, sempre fomos extrativistas e por isso nossos trabalhadores sempre pegaram pesado no trabalho.

Nos países desenvolvidos eles conseguiram fazer a transição: ao invés de primários exportadores, passaram a inventar equipamentos de ressonância magnética, construir foguetes, desenvolver GPS, fabricar tecnologia e levar pessoas à lua. Por aqui fazemos tudo muito parecido com a maneira que fazíamos há séculos, o que é uma excelente definição de estagnação e atraso. No caso específico do açúcar, tão importante para Alagoas, ainda mandamos nossos trabalhadores braçais atear fogo no canavial para facilitar o posterior corte manual e carregamento da cana.

Tudo isso pesa para nossos trabalhadores simplesmente porque no mercado internacional, em termos de troca, um Iphone de última geração custa mais do que sete toneladas de açúcar. Haja força para sustentar termos de troca tão desfavoráveis.

Naqueles países desenvolvidos o labor é bem menos pesado, não é exaustivo, as exigências de saúde e segurança no trabalho são bem mais rígidas e o salário é incomparavelmente maior. Os países desenvolvidos se especializaram em ideias; exportam conhecimento e tecnologia. Nada disso pesa.

Enquanto isso, por aqui comemoramos o atraso. Comemoramos a redução do investimento em ciência e tecnologia. Comemoramos o corte dos orçamentos das universidades federais. Comemoramos nossa baixíssima produtividade no trabalho, bem como o superávit de exportação em produtos de pouco valor agregado, cujo preço é definido pelo mercado internacional e que precisaremos vender em toneladas para trocar por um mero celular.

Não é por acaso que cancelarmos recentemente a NBR ISO 11228-1:2017 que especificava os limites recomendados para o levantamento manual e transporte de cargas. Fizemos isso porque sabemos muito bem que nosso subdesenvolvimento tem “tudo a ver” com transformar os trabalhadores brasileiros em verdadeiros “burros de carga”, desconsiderando sua dignidade e destroçando sua saúde e segurança.

Dizem que “quem tem patrão pobre, pede esmola para dois”. No Brasil subdesenvolvido esse fardo é ainda mais pesado.