Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true

O vereador de Maceió Francisco Holanda Filho (foto) fez uma revelação inesperada durante entrevista para o jornalista Flávio Gomes de Barros, que apresenta o programa Conjuntura, na TV MAR. Ele falava sobre o caso do Pinheiro, o bairro da capital que está afundando, sem que haja até agora um laudo definitivo sobre as causas do gravíssimo problema. O apresentador fez uma pergunta sobre declaração recente do vereador que provocou reação negativa. E aí Holanda começou a falar de extorsão.

A manifestação do parlamentar que foi lembrada por Flávio Gomes se deu numa audiência sobre o Pinheiro, realizada no Senado. Durante o encontro, Holanda demonstrou preocupação com os moradores do bairro, é claro, mas também saiu em defesa da importância da Braskem para a economia alagoana. Como se sabe, o trabalho de exploração do solo feito pela empresa pode ser um dos fatores decisivos para a situação que temos. A empesa nega e se apresenta como “parte da solução”.   

Para justificar sua fala no Senado, disse o vereador na TV MAR: Na realidade, Flávio, minha fala foi de onze minutos. E existem hoje, infelizmente, pessoas que não querem o bem do nosso estado, que trabalham nos bastidores fazendo o mal, tentando extorquir as pessoas. Quando as pessoas não comungam com esse tipo de pensamento, são vistas como inimigos delas. Na sequência, o parlamentar chega a citar supostas vítimas de tentativa de extorsão. São nomes conhecidos.

De novo, Francisco Holanda: Esse bastidor negro da política e da vida das pessoas, que inclusive já aconteceu comigo, já aconteceu com o doutor Alfredo, agora mesmo aconteceu com o vereador Lobão. Existe uma meia dúzia ali, com penetração na imprensa, no próprio setor público, pessoas nojentas que não querem ajudar. Lobão é colega de legislatura de Holanda. “Doutor Alfredo” é o procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça. São informações muito sérias.

Na entrevista, quando fala sobre pessoas que tentam extorquir autoridades, o vereador repete aquele famoso movimento de esfregar dois dedos da mão (o polegar e o indicador) para se referir a dinheiro. Ele parece tratar do assunto com real conhecimento de causa. Faltou apontar a identidade desses criminosos, ainda mais que o autor da denúncia exerce um cargo público, por escolha direta da população. O eleitorado de Maceió tem o direito de cobrar esclarecimentos.

Não sei se o vereador Lobão e o chefe do MP comentaram as declarações de Francisco Holanda. Mas acho que não. Também imagino que ninguém aí terá a iniciativa de aprofundar o caso, com a revelação de nomes e circunstâncias concretas. É muita confusão pra todo mundo. Não deveria ser assim. Fazer denúncia pela metade serve apenas para tumultuar o ambiente e espalhar suspeitas.

Vejam que o vereador diz que esses achacadores “têm penetração na imprensa” e também “no setor público”. Ou seja, eles estão por aí agindo de modo desonesto nos corredores e gabinetes das instituições – com um engajado braço na imprensa. Afora essa zoada toda, na conversa com Flávio Gomes, Holanda diz coisas relevantes sobre o Pinheiro. Acha até que a Braskem pode fechar.