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(*) Maria Claudia Badan Ribeiro

Relembrando a todos vocês, envio o cartaz do lançamento do filme Codinome Clemente que estreia essa semana no Festival de Cinema Brasileiro em Paris. Este ano temos pelo menos 4 filmes ambientados na época da ditadura: Codinome Clemente de Isa Albuquerque, Marighella de Wagner Moura, A Torre das Donzelas de Susanna Lira, Pastor Claudio (Guerra) de Beth Formaggini e Deslembro de Flavia Castro.

Filmes importantes, numa época importante, em que os fatos históricos são manipulados, a militância agredida e desacreditada e a ditadura simplesmente negada e transformada, num “regime democrático forte”. Sintomático que seja na França, país do exílio de tantos militantes políticos brasileiros, que esses filmes sejam exibidos juntos. Eles ajudam também a formar uma rede de proteção e de denúncia. Precisamos do ‘lugar de fala’, mas também do lugar de “escuta”.

Em 1987 o Jornal do Brasil anunciava com ironia: que a história de Carlos Eugênio dava um enredo de carnaval. E acrescentava sobre ele: "Carlos Eugênio trocou o tom monocórdico da metralhadora soviética por um harmônico baixo elétrico. Seu aparelho agora é um amplificador”. Quem viveu essa época sabe o que foi lutar e ao mesmo tempo sobreviver sob uma ditadura.

E depois, fora dela. Para o Clemente foram seis anos ininterruptos de luta, de 1967-1973. Como escreveu Franklin Martins: “Poucos militantes participaram de tantas ações armadas naquele período (...). Poucos também foram caçados tão ferozmente como ele”. Poucos também, eu diria, foram aqueles que viveram nas entranhas as exigências da guerra.

Aqueles limites da violência que são, na maior parte das vezes, definidos pela estratégia que a própria guerra determina. Carlos Eugênio tem muitas histórias a contar, do tempo que viveu, do tempo que sonhou. A luta armada foi uma parte desta história, desta pessoa que a história e a militância pouco conhecem. E que na maioria das vezes, condena.

Quem se interessar, e estiver de viagem ou tiver amigos que morem na França, passem por lá. Precisamos de filmes como esse, para entender o que foi a ditadura, o que ela custou à sociedade, e também a este guerrilheiro, que corajoso, deu a vida como tantos outros de sua geração que não sobreviveram para contar a sua história. Ainda não sei quando chegará ao Brasil. Espero que não demore muito...

Abaixo vai parte da divulgação francesa e meu abraço.

 

Exibição : Codinome Clemente,  dia 11 de abril, quinta- feira às 20:45 h no cinema L' Arlequin. 76, rue de Rennes. Paris 75006. Metrô Saint-Sulpice.

(*) é Bacharel em Letras (italiano e francês) pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), Mestre em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), Pós-Doutora pelo Instituto de Altos Estudos da América Latina (IHEAL-Sorbonne Nouvelle) e pelo Programa de Pós Graduação em Sociologia da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).