Cortesia Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true alergista Clarissa Tavares

O que é alergia alimentar e quais as razões do crescimento, em todo o mundo, dessa resposta exagerada do organismo a algumas proteínas presentes nos alimentos? Você sabe a diferença entre alergia alimentar e intolerância? Essas e outras perguntas podem ser respondidas diretamente por especialistas neste domingo (7), em um evento na rua fechada, abrindo a Semana Mundial da Alergia.

Com o tema “alergia alimentar – um problema global”, a ação ocorre simultaneamente em várias cidades do país, e leva à orla de Maceió, das 9h às 13h, mais esclarecimento sobre o assunto, com alergistas orientando a população e distribuição de folders educativos.  

Em entrevista ao CadaMinuto, a alergista Clarissa Tavares, presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia seccional Alagoas (ASBAI-AL), afirmou que não só os casos de alergia alimentar, mas todos os outros vêm aumentando no mundo, o que deu o mote da campanha deste ano.

Sobre uma dúvida comum, a diferença entre alergia e intolerância, explicou: “Alergia é a formação de anticorpos contra ao que é proteína do alimento, bem mais grave que a intolerância, caracterizada por sintomas praticamente intestinais, ela ocorre quando o organismo não tolera aquele alimento, por exemplo, a lactose do leite”. Como o leite  é composto ainda por proteínas, ele também pode causar alergia.

Leite, ovo e camarão

Entre os alimentos, o leite e o ovo são responsáveis pelas principais alergias em bebês, mas a tendência é que elas passem com o decorrer da idade. “O que estamos observando, no entanto, é que antes o mecanismo de tolerância era aos dois, três anos de idade, e agora há crianças com seis, oito e até 14 anos que ainda têm alergia”.

Ainda conforme Clarissa, já a alergia a outros alimentos, como camarão, amendoim, trigo e soja, normalmente são permanentes e não tem tratamento. Embora não existam dados concretos, uma das principais iguarias do Nordeste, o camarão, encabeça a lista das alergias alimentares em Alagoas, para tristeza dos apaixonados pelo crustáceo.  “É importante destacar que a única imunoterapia (vacina) existente é para alergia respiratória. Hoje, não existe imunoterapia para alimentos”, completou a alergista.

O estudante universitário José Vinícius Lima Ângelo, 21 anos, contou à reportagem que desde os sete anos convive com a alergia. Os primeiros sintomas começaram quando ele ainda era pequeno: os olhos ardiam e coçavam quando comia camarão. Em seguida, a reação foi mais séria, teve edema de glote, impedindo a passagem de ar.

Após ser medicado e com o devido acompanhamento médico, José Vinícius disse que, quando a crise acontece - ele precisa evitar até a proximidade com o crustáceo -, toma logo o remédio antialérgico. “No mais, eu tenho uma vida normal, evito ambientes que tenham camarão de rio, já que camarões de água salgada não me provocam alergia”, concluiu.

Preço do Progresso

Sobre a razão do aumento no número de todos os casos de alergia (alimentares, respiratórias, de pele e a remédios) em todo o mundo, a médica avalia que alguns fatores contribuíram e contribuem para isso: uso indiscriminado de antibióticos, poluição ambiental e o aparecimento de novos alimentos, corantes, conservantes, que modificam a flora intestinal.

“Tenho atendido no consultório muitos casos de urticária crônica que, muitas vezes, não está relacionada a alimentos, acho que é o stress, o estilo de vida... O aumento dos casos de alergia é o preço que estamos pagando pelo progresso”, acrescentou Clarissa.

A alergista frisou que, ao surgimento de qualquer sintoma, é bom procurar um profissional especializado, depois de verificar o site da ASBAI. “O conjunto é de fundamental importância para um diagnóstico correto, que deve levar em conta o histórico clínico do paciente, a realização de testes físicos e, se necessário, exames de sangue, que são complementares”.

Conforme dados da ASBAI, a alergia alimentar pode se manifestar em qualquer fase da vida, sendo seu início mais comum na infância, apresentando sintomas na pele, no sistema gastrointestinal, respiratório e cardiovascular, com reações de leves a graves, incluindo o comprometimento de órgãos e risco de morte.

No Brasil, não há estatísticas oficiais, mas estima-se que, assim como no restante do mundo, 8% das crianças com até dois anos de idade e 2% dos adultos sofrem de algum tipo de alergia alimentar. Mais de 170 alimentos têm potencial alergênico, no entanto, poucos deles são responsáveis por um número maior número de reações: leite, ovo, soja, trigo, amendoim, castanhas, peixes e frutos do mar.