"Tomara que o Conselho de Segurança não se arrependa do que fez", diz juíza

  • Redação
  • 14/10/2009 06:37
  • Maceió

A magistrada Nirvana Mello, responsável em descobrir uma rede de prostituição em 1999, na cidade de Porto Calvo e na região do Litoral Norte, teme pela vida após decisão do Conselho de Segurança do Estado, de suspender os seguranças dela. O caso ganhou repercussão internacionalmente.

Nirvana Mello atualmente é titular da comarca de São Miguel dos Campos e teme pela morte. “Eu estou vivendo com a atenção redobrada, sabemos que a vingança não tem hora e data marcada, tenho muito medo de morrer. Hoje meu segurança é o meu motorista, não tenho uma vida de paz”, disse nirvana.

Segundo os conselheiros que tomaram a decisão em afastar os seguranças da juíza, alegaram que não existem nenhum fato novo que prove que Nirvana passa por risco de vida. A juíza não quis lembrar de onde sai às ameaças.

“Não prefiro falar o que aconteceu na época, tenho medo de receber outra sindicância. Quando a rede de prostituição foi descoberta não existia nem um debate nos meios de comunicações sobre prostituição infantil, graças a Deus hoje o mesmo assunto tem outra repercussão”.

O Conselho de Segurança também garantiu assim que Nirvana Mello precisar e provar que realmente voltou a receber ameaças o conselho disponibilizará novamente os seguranças. “Tomara que o Conselho de Segurança não se arrependa do que fez, ou quando se arrepender, não seja tarde demais”, disse a juíza.

Entenda o caso

 

No dia 31 de agosto de 1999, Nirvana foi procurada por uma menor que, desesperada, acusava o fazendeiro Carlos Pessoa de obrigá-la, diariamente, a manter relações sexuais com ele e vários outros homens, entre os quais algumas autoridades da cidade.

A juíza tomou o depoimento da menor e começou a desarticular a rede de prostituição. Outras quatro menores e uma cafetina confirmaram as acusações.

A ação repercutiu na capital, onde uma juíza do tribunal chegou a requerer a remoção de Nirvana da comarca, mas um abaixo-assinado subscrito por 5 mil moradores (quase 25% da população) fortaleceu sua permanência no cargo.

Nirvana denunciou a participação do pároco, além dos fazendeiros Carlos Pessoa, Moacir Breda e José Falcão, o juiz Luciano Galvão, o promotor Sérgio Simões, o empresário Ormindo Uchôa e o ex-prefeito de Porto Calvo, Telmo Arlindo.
O nome do padre é Expedito Barbosa, na época com 75 anos

A Rede Globo de Televisão chegou a produzir um especial para o Globo Repórter, que nunca foi ao ar porque o Tribunal de Justiça de Alagoas - a pedido dos acusados - proibiu a divulgação da reportagem. A emissora recorreu da decisão, mas o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a sentença da justiça alagoana. Empolgado com a censura prévia, o promotor Sérgio Simões chegou a abrir processos contra oito jornalistas e 25 jornais que divulgaram o escândalo.