Foto: Olival Santos Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Samu - Arquivo

Com o passar dos anos e o avanço da idade, o corpo humano vai ficando cada vez mais frágil e sua estrutura óssea e muscular se torna menos resistente. Esse é um dos motivos apontados por especialistas para redobrar a atenção com os idosos, que são as principais vítimas de queda da própria altura e aparecem entre os que mais acionam o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Alagoas.

Em 2018, as Centrais do Samu Maceió e Arapiraca liberaram viaturas para realizar 2.077 atendimentos a vítimas de queda da própria altura. Somente no primeiro mês deste ano, foram 187 ocorrências do tipo. Desde total, segundo o Centro de Processamento de Dados do Samu Alagoas, as ocorrências envolvendo idosos representam 80%.

De acordo com Marcell Figueiredo, médico socorrista do Samu Maceió, é necessário redobrar a atenção com os idosos, adotando medidas preventivas. “Os casos mais comuns de queda da própria altura podem envolver casos clínicos, como hipoglicemia, a baixa de açúcar no sangue; e hipotensão, baixa da pressão arterial; pois são as situações que podem levar a perda do nível de consciência, fazendo com que a pessoa venha a cair”, salientou.

Ainda de acordo com o médico do Samu Alagoas, “a queda da própria altura entre os idosos também é decorrente de um problema de osteoporose, quando ocorre a redução da densidade óssea. Diante disso, os membros inferiores acabam não suportando o próprio peso e, por essa condição, podem quebrar e fazer com que a pessoa caia”, completou Marcell Figueiredo.

Constatação

A aposentada Carmelina da Silva, 94 anos, já passou por este problema três vezes. A primeira queda aconteceu há dois anos, dentro do banheiro e as outras duas dentro do quarto. Em todos os episódios ela foi atendida pelo Samu, mas em nenhuma delas teve ossos do corpo quebrados.

“Eu tenho os ossos fortes desse jeito porque cresci bebendo leite de cabra todos os dias lá em Paraisópolis, interior de Minas Gerais, cidade onde nasci. Nessa última queda, no começo desse mês, os médicos suspeitaram de uma fratura na minha perna esquerda, mas, depois dos exames de imagem, eles viram que estava tudo em ordem”, disse a costureira aposentada.

Carmelina da Silva ainda está se recuperando e sente algumas dores no lado esquerdo do corpo. “Ainda sinto dor na minha perna esquerda, parece que o osso vai sair do lugar, mas estou melhorando aos poucos”, disse. Ela aproveitou e falou sobre o atendimento do Samu. “Eles são muito atenciosos, me trataram com muito cuidado e carinho, em todas as vezes que precisei ir para o hospital”, contou.

Orientações

Ainda segundo o médico do Samu Alagoas, esses procedimentos preventivos de adaptação dentro de casa devem ser feitos e trazem maior conforto e segurança para os idosos.“A melhor coisa é a prevenção. E para os idosos é necessário adaptar a casa para o dia-a-dia dessa pessoa, que aos poucos vai perdendo a independência.  É recomendado colocar corrimãos espalhados pela casa toda, especialmente, nos banheiros; instalar grades na cama, além de usar pisos e tapetes antiderrapantes”, orienta o socorrista.

Marcell Figueiredo ainda fala sobre o que os parentes e a população em geral devem fazer quando presenciar uma queda da própria altura.“A orientação básica é ligar imediatamente para o número 192 e passar todo o quadro para o profissional médico, observando se a vítima está acordada, conversando normalmente, se existe algum ferimento visível, se um membro está mais inchado do que o outro, além de evitar movimentar o paciente e aguardar a chegada do socorro especializado”, orientou o médico.

Orientações que foram recebidas por Cleonice Silva Malta, 64 anos, filha da aposentada Carmelina da Silva.“O banheiro que ela usa já é adaptado com corrimãos e, agora, depois dessa última queda, colocamos uma grade na cama para ela não cair enquanto estiver dormindo. Minha mãe já levou duas quedas esse ano, na primeira ela estava no quarto, escorregou e caiu. Depois disso, coloquei a cama dela no meu quarto para prestar ainda mais atenção nela. Mas, como por ser muito ativa e independente, não me chamou para se levantar durante a noite e, andando no escuro, dentro do quarto, caiu novamente”, relatou a filha.

Outras faixas etárias

As quedas da própria altura também podem acometer pessoas mais jovens e fisicamente mais fortes. Além das situações clínicas já citadas, outros diversos tipos de fatores podem levar uma pessoa a cair.“As situações podem ser desde crises convulsivas até mesmo pela grande ingestão de bebida alcoólica. De maneira geral os principais ferimentos ocasionados por esse tipo de acidente são escoriações, cortes e fraturas em membros ou na face, pelo atrito com o solo”, reforça Marcell Figueiredo.

Ao atender essas vítimas, o Samu Alagoas, dependendo da situação, faz o encaminhamento para as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), nos casos clínicos. Mas, caso exista suspeita de fraturas, os destinos são o Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, e o Hospital de Emergência do Agreste, em Arapiraca.