Cortesia 81562ffb 6c6a 4643 b24c f0c89d8d3b85 Helicóptero da segurança pública caiu e quatro militares morreram
Setembro de 2015 ficou marcado pela queda de um helicóptero usado pelo Grupamento Aéreo da Polícia Militar no bairro da Santa Lúcia, em Maceió, que matou quatro militares. O Cada Minuto teve acesso ao relatório final do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). O documento, até então inédito, mostrou que cinco fatores contribuíram para a queda da aeronave, entre fatores humanos e organizacionais.
 
A investigação do Cenipa [órgão da Aeronáutica] não aponta responsáveis e serve para recomendações e correções de problemas em novos voos.
 
O  relatório revela que os fatores que contribuíram para a queda foram: a aplicação do comando do piloto, o julgamento da pilotagem, a percepção, processos organizacionais e a supervisão gerencial. Morreram na queda da avião quatro militares identificados como major Milton Carnaúba, Capitão Mário Henrique Assunção, soldado Diogo Melo e o soldado  Marcos de Moura Pereira.
 
No que diz respeito à aplicação dos comandos, o relatório mostrou que "a realização de uma manobra com valores de velocidade e inclinação elevados só seria possível caso houvesse aplicação nos comandos adequada para manutenção da altitude". 
 
O segundo fator é o julgamento da pilotagem, que é quando o piloto deixa de avaliar as influências teóricas relacionadas com o desempenho e com a qualidade de voo da aeronave.
 
Ainda segundo o relatório, o estado psicológico dos pilotos também contribuiu para a queda da aeronave. O documento diz que "ele inibiu atuação dos processos de reconhecimento e organização dos estímulos recebidos, que poderiam impedir a realização de uma manobra, a baixa altura e com grande inclinação".
 
Os processos organizacionais também teriam contribuído para a queda. Conforme mostra o relatório, a falta do uso de ferramentas adequadas para o acompanhamento do desempenho dos tripulantes, como as fichas de avaliação, revelou a existência de falhas nos processos formais da organização, comprometendo a supervisão dos voos de treinamento.
 
Por fim, a falta de supervisão gerencial que mostra que a informalidade "na realização das atividades aéreas influenciou no acompanhamento da fase de planejamento, concorrendo para a quebra de regras na condução daquele voo, contribuindo para o acidente". 
 
Hipóteses
 
Foram consideradas duas hipóteses para a ocorrência. A primeira que o comandante da reserva por algum motivo, fugiu de seu padrão de pilotagem e realizou uma curva à baixa altura com elevado grau de inclinação lateral após a decolagem. Durante a manobra não realizou as correções necessárias e a aeronave perdeu altitude, colidindo contra o fio da rede elétrica e após contra o solo. O comandante tinha habilitação do Operador de Equipamentos Especiais (OEE). 
 
Já a segunda, que foi considerada a mais provável pelo relatório, o ocupante do assento dianteiro esquerdo pilotava o helicóptero no momento do acidente. Durante a decolagem, ao realizar curva de grande inclinação lateral à baixa altura, ele não foi capaz de realizar as correções necessárias para manutenção do voo nivelado. A aeronave perdeu altitude e colidiu contra o fio da rede elétrica e, na sequência, contra o solo.
 
O Cenipa disse que que tanto o "piloto" quanto dois policiais não tinham habilitação do OEE.
 
O relatório final divulgado em maio do ano passado, 30 meses após o acidente. Segundo a análise dos técnicos, a aeronave iniciou a subida definindo uma curva de grande inclinação pela esquerda e ao atingir cerca de 10 metros de altura,  o helicóptero definiu uma trajetória descendente, até colidir contra uma rede elétrica de baixa tensão e depois contra o solo.
 
Diante dos fatos expostos no relatório, o Cenipa deu algumas recomendações ao Estado. A Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP/AL) informou à reportagem que acolheu na integralidade todas as recomendações e adotaram os procedimentos de segurança inerentes à atividade aérea.
 
A SSP informou que periodicamente são realizados treinamentos visando aos procedimentos de cada Helicóptero, proporcionando o conhecimento técnico de cada máquina, de forma individualizada, para todos os pilotos do grupamento.
 
Além disso, o secretaria disse que existe um Programa de Treinamento Operacional (PTO), aprovado pela ANAC em 2015 e atualizado em 2017,  onde constam todas as manobras e treinamentos que os pilotos devem seguir ao longo do ano, contendo manobras de solo, manobras em voo, treinamento teórico, prática de manobras de emergências. Desde a sua aprovação, só após o treinamento recomendado pela ANAC que há a renovação da habilitação dos pilotos.