Foto: Polyana Lima/Cada Minuto A5eb76db c446 48a6 be36 dcd049faefb4 Defesa Civil participou do simulado de evacuação

Centenas de moradores do bairro do Pinheiro, em Maceió, se reuniram na tarde deste sábado (16), durante a participação no simulado de evacuação da região. Desde o ano passado que rachaduras apareceram em imóveis e ruas do bairro e "expulsaram" os moradores da região.

Segundo o tenente Coronel Moisés, da Defesa Civil Estadual, esse simulaado foi pra população conhecer a rota de fuga mais próxima. "As guarnições que estiveram ali servirão para socorrer, em caso de real emergência, pessoas enfermas ou com dificuldades de locomoção. As pessoas com deficiência ou impossibilitadas não precisariam participar do simulado", explicou.

O tenente avaliou o simulado como positivo, mas acredita que alguns pontos podem ser melhorados. Moisés afirmou que também quer saber o que está acontecendo no bairro e disse que "acredita nos próximos 70 ou 90 dias a resposta da causa aparecerá".

O simulado contou com a participação das Defesas Civis Municipal e Estadual, a Polícia Militar, o Exército Brasileiro, Marinha do Brasil, Força Aérea, Corpo de Bombeiros, Grupamento Aéreo, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), entre outros órgãos. A mobilização teve início às 15h no Batalhão Exército Brasileiro, onde os comboios percorreram as ruas alertando a população a se dirigirem até os quatro pontos de encontro localizados na região.

Fora da área de risco

Maria Coimbra, moradora do bairro há 35 anos, reside na área fora de risco, mas decidiu acompanhar o simulado de evacuação para dar apoio aos outros moradores que estão em situação de risco. "Tem muita gente que abandonou suas casas ou tiveram suas residências roubadas. Estamos precisando resolver isso o mais rápido possível", relatou a moradora.

Há mais de 42 anos morando no Pinheiro, Adalberto Gomes também está fora da área de risco, mas alegou que mesmo imune, decidiu participar para saber o que pode acontecer. "Nunca se sabe o que pode acontecer e onde estaremos no momento [...] Toda essa situação é lamentável, pois você constrói  toda uma vida em um lugar e, de repente, tem que abandonar tudo sem uma explicação firme e aceitável. Hoje temos muitas perguntas e poucas respostas", desabafou.

Sinais de alerta

Situada na área laranja do bairro e moradora há mais de 20 anos no Pinheiro, Silvana Melo, disse que não pensa em deixar o bairro. Questionada sobre os alertas feitos pelos órgãos durante o simulado de evacuação, a moradora disse que não ouviu nenhuma sirene, apenas as buzinas. "Eu não acho [o simulado] eficiente. Acredito que o som que a sirene faz tem que ser maior. Sem isso, nós não iremos perceber se acontecer algo diferente", informou.

Falta de informação 

A moradora Alexandra Nunes mora na área laranja do bairro há cerca de 10 anos, com sua filha e esposo. Ela alegou que sentiu uma falta de conexão entre os órgãos para esclarecer as dúvidas da população. "Eu acredito que eles nao estão articulados. Estão trabalhando cada um por si. Eu queria que eles explicassem se a gente iria ter algum treinamento aqui, uma orientação, o que a gente deve fazer, como devemos evacuar, pra onde correr, entre outras questões. O meu sentimento é que a gente está perdido e eles também", desabafou a moradora.

Pontos de apoio 

Durante o simulado de evacuação, foram determinados quatro pontos de apoio no bairro. Nesses pontos, a população pôde encontrar profissionais da área de assistência social designados a preencher um cadastro com os dados de cada morador. A coordenadora dos pontos de apoio, Ariela Belo, explicou que no caso de acontecer uma catástrofe, os moradores devem se encaminhar aos pontos de apoio para receber um encaminhamento social.

"Esse encaminhamento irá identificar se o morador e a família precisam de algum cuidado especial, se tem alguém acamado, se tem animal, se tem a casa de algum parente para ir ou se vai precisar de abrigo temporário", explicou Ariela.

*estagiária sob a supervisão da editoria