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O termo "Remake", em bom português, pode ser traduzido como "refazer", que, por sua vez, significa tornar a fazer ou consertar, restaurar, recuperar.
Agora que os conceitos já estão estabelecidos, fica a pergunta: o que motiva a produção de um remake cinematográfico?

Podemos elencar aqui alguns motivos objetivos e subjetivos para que filmes do passado ganhem novas versões.
Levar antigas produções para novos públicos, atualizar os efeitos especiais limitados da época, ou quem sabe reiniciar velhas franquias sob a forma dos chamados 'reboots".
Mas os remakes também podem indicar a falta de criatividade do mercado, sedento apenas pelas cifras de outrora. O espectador, amante da obra original, muitas vezes enxerga essa prática como sinal de desrespeito e tem calafrios ao imaginar seus filmes favoritos usurpados por re-imaginações.

Entretanto, devo lembrar que alguns clássicos do cinema e ótimos longas são remakes.
Cinquenta e um anos antes de Al Pacino incorporar o traficante Tony Montana, sob a direção de Brian de Palma, em "Scarface" (1983), Howard Hawks estreava "Scarface - A Vergonha de uma Nação" (1932). 
O diretor David Cronenberg também voltou ao passado para adaptar a história de "A Mosca da Cabeça Branca" (1958) e produzir um dos melhores filmes de sua carreira, "A Mosca" (1986).

Estes foram apenas alguns exemplos positivos, mas o que falar do insosso remake de "Psicose" (1998), do diretor Gus Van Sant, que recriou o original quadro a quadro? Ou sobre os rumores, devidamente enterrados, de uma possível volta do DeLorean e Marty McFly, em versão repaginada do sucesso "De Volta para o Futuro"(1985) ?

Particularmente, acredito que deve haver bom senso nas escolhas dos projetos que merecem de fato novas adaptações. Usar os avanços e recursos que não existiam no passado pode ser interessante quando os efeitos da obra original sofreram com o passar dos anos. Filmes muito antigos enfrentam certa resistência por parte do grande público, e por isso é compreensível que os remakes possam servir como condutor de boas histórias há muito tempo esquecidas. 
Porém, atualizar o que ainda se mantém atual é sinônimo de inutilidade. 
Trazer algo novo, que ao mesmo tempo seja fiel a referência e agrade as nossas memórias, está longe de ser uma tarefa fácil. Quando um estúdio decide por um remake, ele não está mexendo apenas em um filme de seu vasto catálogo. Ele está mexendo com sentimentos. Nostalgia, lembranças, apego e reconhecimento de quem éramos quando vimos aquele filme pela primeira vez. Talvez por isso os fãs sejam tão passionais.

E com velhas paixões, meus amigos, não se brinca.