Fotos: Polyana Lima/CM 481a501c e8cc 4d76 935f c7c32ba92d76 Dinário Lemos e Thales Sampaio

Ao anunciarem a nova etapa nos trabalhos de investigação do subsolo do Pinheiro, os pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) afirmaram que irão investigar até 1.500 metros de profundidade (ultrapassando a camada de sal), apontaram os resultados preliminares da investigação e informaram que o tremor registrado em março passado foi de magnitude 2.4.

Os anúncios foram feitos na tarde desta sexta-feira (8), durante entrevista coletiva na Prefeitura de Maceió.

Segundo o geólogo e pesquisador do CPRM, Thales Sampaio, as possíveis hipóteses para os problemas no bairro são: características dos solos e forma de ocupação; presença de vazios decorrentes de causas naturais ou de ações antrópicas; estruturas tectônicas ativas na região; e extração de água subterrânea.

Acompanhado do chefe da Defesa Civil de Maceió, Dinário Lemos, o geólogo contou que o CPRM tem uma equipe de 53 pesquisadores envolvidos no trabalho e que a diretoria do órgão já entrou em contato com o Serviço Geológico Americano para que enviem representantes ao bairro a fim de examinarem os resultados preliminares.

O geólogo também apelou para que as pessoas cujos imóveis estejam situados nas áreas laranja e vermelho deixem suas casas antes do período de fortes chuvas, diante da possibilidade da ocorrência de acidentes.

“Estamos atentos e cientes de que é importante que seja elucidado o que está acontecendo no bairro do Pinheiro. A partir de janeiro intensificamos os trabalhos e só deixaremos Maceió quando tivermos respostas aos anseios da população do bairro”, garantiu Thales, lembrando que o CPRM já mapeou 1.680 municípios de todo o País desde 2011 e que no Pinheiro existe uma complexidade geológica diferente da observada em outras regiões do Brasil.

Alta tensão

As novas etapas que começaram este mês envolvem estudos Gravimetria e Audiomagnetotelúrico (AMT). “O da gravimetria precisará interromper algumas vias mais movimentadas. Já o AMT usa eletromagnéticos como fonte de sinal e a rede elétrica pode interferir na coleta de dados. É possível que nós precisemos desligar a rede, na menor quantidade de tempo possível. Vamos fazer os testes amanhã durante o dia e a noite para ver se os equipamentos suportam essa corrente elétrica”, destacou o geólogo.

Se precisar desligar a energia de alta tensão, os moradores não serão afetados, mas se for a média tensão, a energia poderá ser desligada diariamente, por 20 dias consecutivos, entre 40 minutos e três horas. O período do desligamento irá depender dos testes que serão realizados amanhã.

Ele acrescentou que nenhum trabalhador do CPRM em atuação em Maceió foi deslocado para Brumadinho (MG), palco da tragédia do rompimento da barragem da Vale, pois o caso do Pinheiro está sendo tratado como prioridade.

Etapas anteriores

Nas últimas semanas a equipe esteve nas ruas do bairro e nas imediações e finalizou as primeiras etapas de testes de batimetria, eletrorresistividade, sondagem geotécnica e instalação dos sismógrafos. Nos próximos dias terá continuidade o levantamento cartográfico, nivelamento e locação de poços para o monitoramento do aquífero.

Também serão feitas as primeiras medições por meio das seis estações instaladas no bairro e a locação e construção de poços da Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrânea e a realização de dois estudos relacionados à geofísica.

 

*Estagiária, sob supervisão da editoria