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O Agreste de Alagoas vai passar por uma grande transformação econômica, ambiental e social com a implantação da Vale Verde na região. O município de Craíbas deve ser o principal beneficiado com a empresa, que já se tornou a principal empregadora na localidade.

As atividades se encontram em fase final do estudo de viabilidade. Segundo os dirigentes da mineradora, quando entrar em fase de construção da mina, já a partir de 2011, a expectativa é de geração de 2 mil empregos diretos.

Localizada no povoado de Serrote da Laje, a mina é rica em ferro e cobre, e possui ainda ouro em menor quantidade. A estimativa é de 15 anos de exploração. Na fase de produção, a partir de 2012, a mineradora vai funcionar com 700 empregos diretos e 2100 indiretos. Mas a novidade é que os técnicos da Vale Verde já descobriram nova jazida no município de Igaci e realizam estudos em 10 municípios da região. “Estamos procurando ferro e cobre de maneira sistemática”, informa o geólogo Carlos Bertoni, diretor da empresa.

Ele confirma a descoberta de outra jazida em Igaci e de possibilidades de novas minas em Girau do Ponciano, mas adianta que estão sendo realizados apenas estudos de viabilidade econômica.

“Esse minério pertence ao povo de Alagoas. Nosso papel é fazer a extração e o processamento, para gerar riqueza de forma sustentável. A riqueza tem de ser compartilhada”, assegura Bertoni. Para ele, é preciso atenção e cuidado com as mudanças que devem ocorrer, principalmente para se evitar, por exemplo, especulação imobiliária. A Vale Verde já investiu R$ 60 milhões na região, valores que devem chegar a R$ 1 bilhão até a conclusão da mina.

Mas, para entrar em operação, a mineradora depende da construção de uma nova adutora e de uma subestação de energia elétrica. De acordo com ele, já está firmada uma Parceria Pública Privada (PPP) entre o governo do Estado e a construtora Odebrecht para a execução da adutora, esperada para 2012. Já a parte energética, o próprio ministro das Minas e Energias, Edson Lobão, esteve há poucos meses em Alagoas para confirmar a construção da subestação.

“A participação do governo do Estado está positiva em todos os sentidos. Recebemos muita ajuda do governo estadual”, ressalta o diretor da mineradora. Bertoni informa ainda que, quando estiver pronta, a planta da empresa deve tratar 40 mil toneladas de minérios por dia.

Os primeiros estudos para a descoberta de minérios na região Agreste, forma iniciados nos anos de 1980, pela empresa Cimpor. A Vale Verde assumiu os trabalhos em 2007, após se certificar do potencial mineral, principalmente por conta de um afloramento no povoado Serrote da Laje, em Craíbas. É nesta área onde a mina vai ser construída.

Meio Ambiente - A instalação de uma mineradora gera riqueza e divisas para municípios e estado. Mas com ela vem a mudança radical no meio ambiente da região, a partir da construção da mina. Para se instalar em Craíbas, a Vale Verde obteve autorização dos Instituto do Meio Ambiente (IMA), baseado em estudo de viabilidade apresentado pela empresa.

De acordo com André Germani, gerente de saúde, segurança, meio ambiente e
sustentabilidade da mineradora, após o encerramento da exploração do solo, a área poderá ser transformada em criatório para peixes e até mesmo em uma reserva ambiental, já que a empresa é obrigada a reflorestar grandes áreas em volta da mina. Ele assegura que a empresa realizou todos os estudos para reduzir os impactos ao meio ambiente.

Atualmente, várias sondas têm realizado extração dos minerais para testes. O ferro e o cobre têm sido retirado de uma profundidade de até 600 metros, medida que deve chegar a mina, quando a mesma estiver em operação.

Capacitação - A geração de empregos e de royalties (compensação financeira) para os municípios e o Estado onde a mineradora opera, vai ser o forte com a chegada da Vale Verde na região. Mas os dirigentes alertam para a falta de qualificação de pessoal, principalmente dos moradores de Craíbas, muitos deles sem possuir nem mesmo o ensino fundamental.

Este deficiência pode levar a empresa a ter de contratar funcionários em outras cidades e até em outros estados. Para modificar a situação, Carlos Bertoni sugere a implantação de turmas de Educação para Jovens e Adultos (EJA), assim como a formação técnica de trabalhadores. “O grande desafio é a qualificação de pessoal”, avalia o diretor.

Por outro lado, antes de entrar em sua capacidade máxima de geração de riqueza, a Vale Verde já se transformou também na principal compradora e incentivadora do comércio de Craíbas. Israel Domingos dos Santos possui duas lojas na área central da pequena cidade e se diz bastante satisfeito com a instalação da empresa na localidade.

“Meu comércio melhorou bastante. Os empregados da empresa tem comprado roupas, sapatos e comidas em meu estabelecimento”, conta o comerciante.