Agência Senado/Arquivo Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Renan Calheiros

Candidato à presidência do Senado Federal e com fortes chances de ocupar a cadeira, o senador Renan Calheiros (MDB) é um camaleão enxadrista na política brasileira.

Na história recente, defendeu o ex-presidente condenado Luis Inácio Lula da Silva, o Lula (PT), com unhas e dentes; ajudou a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) a não perder seus direitos políticos no processo de impeachment, compreendendo a Constituição ao seu modo; criticou o atual presidente Jair Messias Bolsonaro (PSL) e se tornou um ativista tuiteiro contra adversários…

Tudo ao sabor do que as circunstâncias exigiam.

No governo de Michel Temer (MDB), ocupou o papel de opositor na busca de uma agenda que trouxesse para si o apoio da esquerda e surfou na impopularidade do ex-presidente. Foi estratégico. Assim é Renan Calheiros desde que o mundo é mundo. Não por acaso, já foi querido por tucanos e petistas, chegando até a ser ministro da Justiça.

Renan Calheiros é um polvo cujos tentáculos se perde de vista…

Agora, Calheiros quer ajudar o atual governo a aprovar a Reforma da Previdência e pode até abraçar pautas que em outros momentos não faria. É a luta pela sobrevivência.

Em entrevista à jornalista Andréia Sadi, Renan Calheiros cravou: “Se for eleito (presidente do Senado), eu quero ajudar”. Assim, se aproximou do super-ministro Paulo Guedes.

Mas, ainda assim, cauteloso que é, faz de conta que o MDB vai viver um processo democrático para indicar um nome à presidência do Senado Federal. “Se o partido indicar, eu vou ser (candidato)”, diz Renan Calheiros.

Exatamente o mesmo discurso usado para chegar à presidência do Senado da última vez, quando se manteve cauteloso até o dia 1º de fevereiro. Há tudo para assim ser novamente. Este é Renan Calheiros. Não por acaso, um dos políticos mais inteligentes do país quando o assunto é organizar o xadrez.

A eleição secreta favorece Renan. Sua cautela sabe lidar com as situações em que a faca e o queijo estão quase em suas mãos.

Até os rompantes são calculados, como recentemente ao rebater o falante coordenador da Lava Jato, Deltan Dallangnol, que de fato entra - de forma jacobina - em temáticas que não estão em sua competência. A opinião de Dallangnol, neste caso, é só uma opinião. Afinal, Renan Calheiros - gostem ou não - foi eleito dentro das regras democráticas. Como senador, tem o mesmo direito que os pares e depende dos pares sua eleição ou não.

Renan Calheiros aproveita a polêmica para dizer que Dallangnol produz palavras “débeis, vazias, a julgar sem isenção e com interesse político, como um ser possuído”.

Nacionalmente, surge um movimento contra Renan Calheiros na presidência do Senado Federal. O Senado ouvirá ou não? O Executivo de Bolsonaro ouvirá ou não?

O fato é que o hoje Renan Calheiros de braços abertos para Bolsonaro, já disse - em passado recente - que Jair Bolsonaro era uma ameaça ao sistema.

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