Assessoria Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Secretário Coronel Lima Júnior

O secretário de segurança pública do Estado de Alagoas, coronel Lima Júnior, concedeu entrevista à rádio CBN, na manhã de hoje. A fala do titular se mostrou ajustada, longe do politicamente correto, mas sem perder a polidez do discurso e sem fugir de pontos polêmicos, deixando claro os posicionamentos que possui. 

O secretário iniciou a conversa avaliando a redução dos números de homicídios em Alagoas, nos últimos quatro anos. De fato, ainda estamos longe de ter o que comemorar, mas ele acerta ao enfatizar o considerável avanço na redução  dos índices da criminalidade. 

Alagoas segue sendo um dos Estados mais violentos da federação, mas o governo estadual tem apresentado resultados positivos. 

Claro, diante do contexto vivenciado no Brasil - com mais de 60 mil homicídios por ano - é difícil fazer milagre. Porém, a gestão passada de Renan Filho acertou ao endurecer o discurso contra a bandidagem e escolher para o comando da pasta pessoas que não relativizam os valores e lutam pela a valorização do bom policial, não apenas do ponto de vista dos salários (e é sim importante que profissionais da segurança pública ganhem bem). 

O ex-secretário Alfredo Gaspar já seguia essa linha. Vale lembrar!

Lima Júnior apresenta uma visão ampla, falando de integração e de políticas estaduais que estejam alinhadas com o governo federal. 

Em outras palavras, retirar o viés ideológico de cena e trabalhar com a realidade. O secretário teve até a coragem - em tempos modernos - de usar a expressão "cidadão de bem".

Não há relativização do conceito, pois se está falando daquele homem honesto, que trabalha, paga seus impostos, e busca segurança - em todas as esferas - para voltar vivo para casa e para sua família. É claro que todo mundo está sujeito a cometer erros, inclusive um cidadão considerado de bem. Mas, não faz parte dele o ânimo para o cometimento do crime planejado, como há na bandidagem, que se organiza cada vez mais e em alguns locais exerce o papel de "Estado paralelo".

Lima Júnior demonstra entender muito bem isso e a importância de se combater a impunidade, de se ter ostensividade nas politicas de segurança pública, ao mesmo tempo - evidentemente - que se tem políticas preventivas e investimentos em Educação e outras áreas para melhorias no médio e longo prazo. Afinal, uma coisa não exclui a outra, já que o mal sempre há de existir na sociedade e quem o pratica precisa sofrer as consequências. 

Para além disso, Lima Júnior também tocou em pontos polêmicos, como a questão da posse de arma. O coronel foi enfático ao afirmar que não vê nada demais em um cidadão apto - que responda aos critérios objetivos de uma legislação vigente - ter o acesso à arma de fogo para sua proteção, da propriedade e da família. 

A reflexão do secretário desmonta o espantalho que a maioria dos desarmamentistas cria, ao associar a flexibilização da legislação a armar de forma generalizada a população. Afinal, o que a derrubada do Estatuto do Desarmamento propõe - nos termos do projeto de lei do deputado federal Rogério Peninha - é atacar a discricionaridade atual e fixar critérios objetivos, que vão desde a ausência de antecedentes criminais à maioridade, passando por pontos em que é preciso que o cidadão esteja apto. 

Lima Júnior demonstra entender isso e defender, diante de uma legislação que possa até evoluir de forma gradativa, um direito à legítima defesa quando esta se faz necessária. É mais um dos acertos do titular da pasta da segurança pública. 

Ele ainda trata a questão da maioridade penal sem simplismos e com uma honestidade intelectual que pode assustar aos que acham que, por um racionalismo exagerado, possuem resposta para tudo. Lima Júnior reforça que jovens criminosos precisam ser tratado como criminosos, pois possuem consciência de seus atos ao tempo que ressalta que fixar apenas uma maioridade não resolve isso, pois há nuanças na questão. 

Em todo caso, sempre defendendo o óbvio: bandido precisa ser punido e de forma proporcional ao crime cometido, para que haja Justiça, o que - obviamente - se diferencia de vingança. 

O interessante é que a entrevista de Lima Júnior deveria ser ouvida por outros setores do  governo que faz parte que ainda acredita, ao som de Imagine de John Lennon, que vai se resolver a questão soltando pombas brancas na orla alagoana. É o caso dos desarmamentistas de plantão da Secretaria de Prevenção à Violência. A estes, apenas um conselho: ouçam o secretário de Segurança Pública. 

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