Fotos: Maria Maia/CM C7ccf0ae 0d4f 4baf 8150 e2b7f745e8f6 Júlia esteve na Delegacia acompanhada de integrantes da OAB/AL

(Atualizada às 17h55)

“Enquanto não houver um corpo, enquanto ele não me matar ou matar minha cliente, pelo visto nada será feito... Ameaça é um crime de menor potencial ofensivo. Vou fazer um TCO, vai para a Justiça... Quantos mais processos ele quer? Temos que tirar esse pessoal da sociedade”, desabafou na tarde desta sexta-feira (11), a advogada Júlia Nunes, que foi ameaçada e agredida verbalmente pelo ex-marido de uma cliente.

Ela conversou com a reportagem do CadaMinuto ao chegar a Delegacia da Mulher 2, no bairro Santa Lúcia, escoltada por policiais militares. Acompanhada de integrantes da Comissão da Mulher Advogada da OAB/AL, do advogado criminalista Raimundo Palmeira e também da ex-mulher do acusado, Júlia registrou um TCO contra Wilson Faustino Alves.

“Ele é violento, agrediu a esposa durante anos e, após uma tentativa de homicídio, ela se separou dele há cerca de três anos. Desde então, ele descumpre todas as medidas protetivas, não respeita legislação, decisão judicial e agora, não satisfeito decidiu me perseguir, me ameaçar. Mandou mensagens dizendo que, caso fosse preso, ao sair mataria a ex-esposa e a mim”, contou a advogada, acrescentando que, embora com parecer favorável do Ministério Público, não há pedido de prisão contra o acusado.

Segundo Júlia, as ameaças mais recentes foram feitas no dia 5 de janeiro, quando precisou entrar em contato com o acusado, devido ao descumprimento de mais uma medida protetiva, para resolver pendências referentes ao cartão de crédito da sua cliente.

“Ele agrediu não só a mim, mas toda a classe, a Justiça e disse que todo advogado era bandido... Para mim ele é uma pessoa totalmente desequilibrada... Eu venho há anos tentando fazer com que os direitos da minha cliente sejam respeitados e hoje as minhas prerrogativas também estão sendo desrespeitadas, a minha vida está abalada. Se ela (a cliente) está há três anos sem sair de casa, hoje sou eu que estou também, refém dentro da minha própria casa, enquanto ele está na rua, solto, pintando o terror”, relatou.

Em trechos de áudios e vídeos entregues ao CadaMinuto e à polícia, o acusado xinga as vítimas várias vezes e debocha da polícia e da justiça: “Você acha que medida protetiva protege a mulher de alguma coisa, hein vagabunda safada?... Eu não tenho medo de policiais, eu não tenho medo de ninguém”.

A advogada está com escolta policial fornecida pelo Conseg, mas depende da disponibilidade dos policiais para sair de casa. “Desde o dia 5, hoje foi a primeira vez que sai de casa, para vir até a delegacia... Não aguento mais e hoje estou aqui para pedir o apoio de todos e, especialmente, de todas as mulheres”, finalizou.

Defesa

Wilson Faustino também foi ouvido na tarde de hoje, na Delegacia da Mulher, mas deixou o local sem falar com a imprensa. 

Depois que Júlia tornou públicas as ameaças, Wilson procurou a reportagem e negou ter mantido qualquer contato com a advogada. Segundo ele, o desentendimento começou durante um dia de visita ao seu filho: “Já estava próximo de deixar meu filho e ela começou a mandar mensagem com tom arrogante. Naquele momento eu perdi a cabeça e respondi grosseiro”.

 

*Estagiária, sob supervisão da editoria