Em algum momento da sua vida, você deve ter ouvido á frase: Deixe seus problemas em casa e exerça o seu trabalho. Como se fosse possível paralisar um sentimento provocado por algum tipo de acontecimento para executar uma tarefa profissional como se nada estivesse acontecendo, e ao sair do trabalho você pode voltar a sentir.

Será que alguém realmente chegou a acreditar que isso fosse possível? Ou essa era uma maneira de dizer: Não estou nem aí para o que você está sentindo ou passando, o que realmente me importa é que você cumpra com seu dever?

Uma pesquisa feita em 2015 pelo International Stress Management Association (Isma Brasil) mostrou que 63%dos casos de insatisfação com o trabalho são atribuídos a problemas de relacionamentos. Diante de noticias como esta é desafiador compreender a razão de não se investir no desenvolvimento humano.

Vejo muitas empresas investirem em tecnologia, infraestrutura, avaliação de desempenho e  em técnicas de vendas. Porém, não se questionam o porquê de um funcionário que é teoricamente capacitado não cumprir com as mais simples atividades do cotidiano, ou até mesmo começar em um ritmo admirável e com pouco tempo diminuir seu rendimento e assim gerar a insatisfação. Como também vejo muitas pessoas trocarem de emprego com muita frequência e sempre culpar as empresas por sua insatisfação crônica.

O fato é que estamos acostumados a olhar para o que está fora e não olhamos para dentro de nós, é muito mais fácil culpar os outros e arrumar uma desculpa perfeita para assim aceitar esses acontecimentos como “normal”. Dessa forma não se faz necessário mudar para melhorar, é preferível continuar em uma conhecida zona de conforto.

Pensa comigo, como seriam seus resultados pessoais e profissionais se você pudesse compreender melhor as pessoas que o cercam, entender o que as motiva a agir e ainda se soubesse como se comunicar com elas de maneira mais profunda e eficaz?

Na liderança empresarial ou na educação dos filhos, no casamento ou na seleção de funcionários, o fato é que todos nós temos algum motivo pelo qual queremos decifrar e entender o outro. No entanto a maior parte das pessoas está perdida, criando expectativas irreais sobre o comportamento das outras, simplesmente por não conseguir entende-las.

 Será que, se aprendêssemos a ver e a ouvir melhor outras pessoas, compreendendo-as e percebendo suas dificuldades, nossa vida teria mais sentido?  Pense em suas relações pessoais ou na vida familiar- será que seriamos mais felizes se percebêssemos os limites do outro? Ou se soubéssemos quando estamos sufocando o outro com nossas ansiedades? Será que não haveria menos desentendimentos entre irmãos se pudéssemos aceitar com facilidade diferentes pontos de vista? E as equipes de trabalho, por exemplo: será que poderiam ser mais harmoniosas e produtivas se seus membros deixassem seus egos e vaidades de lado e conversassem mais pensando no todo e não só no exclusivo “eu” individual?

Fico a me perguntar como pode um líder desenvolver as capacidades de sua equipe se não conhece seus próprios limites e suas potencialidades?

Entender isso é fundamental para o êxito do processo. Não há como conhecer de fato o outro se não nos dispomos em primeiro lugar a nos avaliar e a pensar sobre nós mesmos, sobre o que buscamos e esperamos de nós. Para entender e decifrar o outro, você precisa primeiro entender e decifrar a si mesmo. Isso é autoconhecimento: a consciência plena de quem você é.

Pesquisadores afirmam que em 2029 teremos computadores quase tão inteligentes quanto aos seres humanos, com a chegada da inteligência artificial o que vai diferir o ser humano de um robô será as habilidades comportamentais.

Apenas 2% da população brasileira investem tempo e dinheiro em desenvolvimento pessoal, e se você chegou até aqui, te parabenizo por isso. Esse ato mostra que você está no caminho oposto da grande massa e esse é um dos requisitos de pessoas bem sucedidas.

E esse é meu convite para você leitor, que você seja capaz de se compreender, conhecendo-se melhor e até mesmo se reinventando para que possa realizar seus projetos e sonhos. Não importa se você está em casa, na empresa ou no convívio com amigos. A única maneira de contribuir de modo efetivo para o desenvolvimento das pessoas que estão ao seu lado é a partir do próprio autoconhecimento. Quanto mais você se conhece, mais você cresce.

Carol Fontan, sua coach. 

@coachfontan

 

Fonte: Trechos do livro "Decifre e influencie pessoas"