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Em 22 de Julho de 2011, Anders Breivik assombrou a Noruega ao cometer dois atentados e matar 75 jovens num acampamento na ilha de Utoya, próxima a Oslo.
Após o massacre, as famílias das vítimas lutam na justiça pela condenação do assassino.

Paul Greengrass, que já havia dirigido "Voo United 93", sobre os passageiros que conseguiram derrubar o avião sequestrado pelos seguidores de Osama Bin Laden e impedir que ocorresse mais um atentado no 11 de setembro americano, assume a direção do longa "22 de Julho" e entrega um ótimo trabalho.
Buscando abordar diferentes ângulos do triste episódio, Greengrass toca em pontos importantes de maneira sutil. Anders, o atirador, é um rapaz extremista que possuía sua própria versão do ideal político e social para a Europa. Xenófobo, ele enxergava nos imigrantes o verdadeiro mal e por isso, ansiava por um golpe de Estado que pudesse reestabelecer a "ordem" em seu país.
O advogado, convocado para defender o criminoso é tratado com respeito e compreensão pelo diretor, humanizando o profissional, que apenas estava lá para garantir um julgamento justo para seu cliente. 
Ao direcionar a câmera para o governo norueguês e a responsabilidade do primeiro ministro, uma cena emblemática me chamou a atenção. Quando questionada sobre o descuido em fiscalizar a aquisição de uma quantidade relevante de fertilizante utilizada na fabricação da bomba, os responsáveis pela segurança pública da Noruega alegam que a preocupação do governo estava voltada para os terroristas islâmicos. 
Nesse ponto refletimos que o mal nem sempre vem de fora e que a intolerância não previne a guerra. 
Extremismos podem despertar demônios adormecidos que facilmente saem do controle de quem os criou.
O rastro deixado por atentados como o de 22 de julho precisa ser lembrado para que as gerações futuras continuem lutando pelo direito de viver, respeitar e amar, tal como as palavras proferidas pelo sobrevivente Viljar no julgamento do caso.

Essa é a mensagem que precisa sobreviver.

8.0

*Disponível ne Netflix

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