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O Brasil tem uma jovem democracia, para que ela se aprimore é fundamental saber ganhar e saber perder, respeitar o resultado que o povo deposita nas urnas. Tornou-se habitual nas últimas décadas a oposição a um governo, seja ela organizada por partidos políticos ou pela sociedade, levantar a bandeira do fora, seja o PT com o “Fora FHC”, seja o PSDB com o "Fora Lula" e “Fora Dilma”, virou rotina não querer aguardar até a próxima eleição.

Após o “Fora Dilma”, surgiu o Governo com a maior rejeição da história do país (desde que este tipo de pesquisa passou a ocorrer), a era Temer ficou marcada por retrocessos de direitos; mas também por uma grande habilidade para se manter no Governo, o que mostra que muitas vezes, mesmo numa democracia, o Poder é mantido sem apoio popular. Dentre os que defenderam “mudar por mudar, seja lá pelo que for” alguns arrependimentos, outros envergonhados, alguns com orgulho irredutível, outros achando que o Brasil havia melhorado após a era PT... como já é tradição no Brasil, teve campanha “Fora Temer” também.

Espero que não se comece um “Fora Bolsonaro” e pedidos de impitimam, não por que acredite que ele fará um bom governo, pelo contrário, não tenho dúvida que será ruim para a grande maioria dos brasileiros, torço para que não seja uma tragédia! Não integro o time dos que defendem que quando há uma divergência bravejam para os opositores a tese do “quanto pior melhor”, nosso povo não merece tanto sofrimento.

As disputas e debates políticos precisam ocorrer mais na seara política e menos nos tribunais, o fenômeno da judicialização da política é extremamente maléfico para a democracia, pois retira do povo o poder de decidir sobre questões importantes do seu país para transferir para poucos juristas – não eleitos – o poder de decidir por todos (embora existam técnicas e normas claras, a subjetividade impera na interpretação das decisões judiciais). Precisamos aguardar a próxima oportunidade para mudar, nas eleições de 2022, a não ser que ocorra algo muito grave e fartamente comprovado e não apenas divergências na forma de enxergar e conduzir o país, como ocorreu com Collor e Dilma.  

Que as divergências políticas sejam expostas, que o direito de manifestá-las seja assegurado, que a oposição desempenhe o seu papel num debate sério e qualificado, mas que a Presidência da República também seja respeitada enquanto instituição! A Presidência nos representa no mundo, se queremos um Brasil forte e soberano, não podemos enfraquecer a instituição que oficialmente nos representa. Bolsonaro ainda tomará posse, mas que a partir do dia 01 de janeiro de 2019, seja respeitado enquanto Chefe de Governo e Chefe de Estado, será o presidente de todos nós, gostando ou não, infelizmente.