Cortesia ao CadaMinuto Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Professora Sônia Costa

Toda quarta e quinta-feira, a professora de História, Sônia Costa, 35 anos, faz um longo percurso de difícil acesso para ensinar no alto de uma serra no município de Palmeira dos Índios, em Alagoas. Sônia elegeu os dois dias que ela leciona na Escola Estadual Indígena Balbino Ferreira, os melhores dias da semana.

Sônia tem 16 anos de profissão e, além da disciplina de história, ensina geografia e ensino religioso para duas turmas totalizando 30 indígenas da escola estadual que fica localizada na Aldeia Serra do Amaro. O trajeto para chegar até o local é difícil: ladeiras, ruas de barro e que levaria duas horas se ela fosse a pé. Por causa disto, ela vai de moto para que consiga chegar até o alto da serra.

A professora ensina na escola desde abril deste ano. Ela contou ao Cada Minuto que passou por um processo seletivo do Estado e que a carência de professores para escolas indígenas é uma realidade. Ela disse que o processo seletivo chegou para ela como um desafio, mas que logo se transformou em paixão. 

"No começo fiquei preocupada com a questão de transporte. Lá é de difícil acesso e eu não sabia como ficaria a minha situação. Eu dou aula à tarde e à noite. Confesso que tive um pouco de medo", contou Sônia.

Mas, ao conhecer a realidade dos estudantes, ela disse que se apaixonou pela escola que a acolheu de braços abertos. "Eu chego na escola e antes mesmo de descer da moto, os estudantes já estão me abraçando. É uma alegria!"

Sônia leciona em uma turma do sexto ano no horário da tarde, e à noite para alunos do EJA [Educação de Jovens e Adultos]. "Os do EJA são pais e mães dos meus alunos da tarde".

Para ela, ensinar na escola indígena trouxe realização profissional e pessoal [mesmo o colégio tendo uma situação precária].

"Eles mereciam mais, sabe? Um espaço maior, com rampa de acesso. Eles cuidam de mim como se eu fosse da família deles. As pessoas diziam que eles não iam aceitar uma mulher branca ensinando a eles, mas eles me tratam com respeito. Eu ganhei várias mães e vários pais", relatou a professora.

Mesmo com a situação da escola sendo precária, Sônia não deixa de inovar e de aprender com os alunos. "Eu ensino, mas eu aprendo mais do que ensino. Em algumas aulas mesmo, eu os levo para dentro da mata. Eu tento tornar a aula agradável para que os alunos aprendam".

 

 

No dia do professor, a história de Sônia é um exemplo. De acordo com ela, mesmo que os trabalhadores pensem no salário no final do mês, trabalhar em uma escola indígena significa ter ganho um presente diário e não há dinheiro que pague.

"Foi Deus que botou na minha vida. Eu já gostava da cultura deles, era muito forte pra mim. Quando chega quarta e quinta eu digo para minhas amigas que lecionam: hoje são os melhores dia da semana. É como se eu me libertasse e lá me acalmasse", explicou Sônia.

Para a professora, o papel de ensinar vai além de passar o conteúdo. No caso da escola indígena, é preciso ter amor e aprender a ouvi-los. "Eles têm carência de carinho e cuidado. Trabalho em escola pública e privada, mas da mesma maneira que ensino a um, ensino ao outro; e onde chego tento transmitir a cultura deles para que as pessoas valorizem o que eles são e têm".