A primeira pesquisa na corrida presidencial neste segundo turno confirma o favoritismo de Jair Bolsonaro sobre Fernando Haddad. Pelo Datafolha, o candidato do PSL tem 58% das preferências contra 42% do petista, levando-se em conta somente os votos válidos. Os números foram divulgados na noite desta quarta-feira pela Folha e TV Globo. Para muitos, a parada está resolvida.

De fato, são 16 pontos percentuais de vantagem. A diferença traduz o mesmo cenário visto no resultado das urnas no primeiro turno. Nada parece sinalizar uma virada de rota em favor de Haddad. A debandada de candidatos a governador em apoio a Bolsonaro dá uma pista do clima de festa em torno do capitão. Ele só precisa cumprir as lições básicas da campanha, evitando erros graves.

A tropa petista vê alguns fatores para acreditar que ainda é possível. Destaque para o apoio formal de Ciro Gomes e seu PDT ao escolhido por Lula. Terceiro colocado na eleição do domingo último, Ciro teve 12% dos votos válidos. É um contingente e tanto de eleitores – e a maioria deles diz ao Datafolha que segue a indicação do pedetista agora no segundo turno. Ou seja, votam em Haddad.   

É bom lembrar que a campanha no rádio e na TV ainda vai começar. A partir desta sexta-feira, os dois candidatos terão cinco minutos, cada um, à tarde e à noite, para falar. É um dado que não pode ser menosprezado. Se a propaganda televisiva foi irrelevante na etapa inicial das eleições, agora pode jogar um papel mais influente. O desafio é criar um programa ágil e contundente, no curto prazo.    

Outra aposta na tropa de Haddad são os debates. Petistas acreditam que seu candidato tem tudo para expor contradições e equívocos que marcam a personalidade do adversário. Contam também com a falta de traquejo de Bolsonaro ao falar de assuntos áridos no campo da economia. O capitão já avisou que ainda não tem condições de ir a debates. Quatro desses encontros foram cancelados.

Segundo os médicos, o candidato será reavaliado na semana que vem. Ele deve ser autorizado a comparecer a debates somente a partir de 18 de outubro – quando estaremos a dez dias da votação. Com isso, o destino joga a favor do capitão, que se beneficia do calendário médico. Só vai na boa.

Será preciso um pouco mais de tempo para ver a direção da ventania, para saber se o eleitor está mesmo decidido, em maioria absoluta, ou se o voto ainda pode mudar a eleição. Pelo Datafolha de agora, reitero, Jair Bolsonaro pode encomendar o terno e fazer convites para o futuro ministério.