Muito de negativo pode ser dito sobre o senador Renan Calheiros (MDB). E muito do que é dito é verdadeiro. Mas se existir apenas um argumento positivo que pode ser dito sobre a sua trajetória política, é que foi e é um democrata. E isso pode mais uma vez levá-lo ao olho do furacão político.

Como revelado aqui no Cada Minuto, na Coluna Labafero, tradicionalmente o nome que preside o Senado vem do MDB. Mas no que depender do candidato Jair Bolsonaro (PSL), caso seja eleito, isso poderá mudar. O filho dele, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), disse que seu pai não aceitaria Renan Calheiros para a presidência do Senado.

“Renan Calheiros está fora. Não. A gente vai ser oposição. Ele é contra redução da maioridade penal, é contra rever desarmamento. Sem contar que estava de mãos dadas com [Fernando] Haddad na terra dele”, afirmou o deputado.

O presidenciável que ganhar no dia 28 terá que buscar sustentação parlamentar e para isso vai penar. Serão várias batalhas iniciais no Congresso. A primeira será a disputa pela presidência da Câmara, em fevereiro. De acordo com o regimento, tem direito ao cargo quem elege a maior bancada. Nesse caso foi o PT, 56 deputados.

Portanto, tudo resolvido, certo?

De jeito nenhum.

A segunda maior bancada eleita foi a do PSL de Bolsonaro, 52. Um dos eleitos da turma bolsonarista, Kim Kataguiri, já anunciou que é candidato.

No Senado ocorreram dois fatos importantes: o MDB conservou o direito ao cargo e com a não reeleição de Eunício Oliveira (MDB-CE) o candidato natural é Renan Calheiros, também pela sua liderança.

O problema, como disse o filho de Bolsonaro, é que ele é aliado do PT e defende pautas progressistas.

Aí está o novo ringue de Calheiros. Ou a nova guerra de Renan Calheiros. E ele sabe lutar.

Mas também sabe sobreviver.