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Homero Fonseca (*)

1 — A partida vai ser resolvida no segundo turno.

2 — Bolsonaro estará dentro, beneficiado pela facada e pelo antipetismo massificado pela mídia. Como sempre nesses momentos, os liberais mandam os escrúpulos às favas e fecham com a extrema direita.

O apoio no segundo turno envolverá o seguinte acordo num eventual governo: Bolsonaro fica como figura decorativa, fazendo momices nas redes sociais para entreter seu eleitorado (como Trump, nos EUA), enquanto Paulo Guedes junto com o “Mercado” cuida da economia, aprofundando o liberalismo selvagem e os retrocessos sociais do governo Temer, e o general Mourão assume o governo de fato, com ênfase na repressão aos movimentos sociais.

3 — Liberais envergonhados e ex-esquerdistas com problemas de consciência (que no primeiro turno votaram em Alckmim ou Marina), proclamam o voto nulo ou branco, tentando sair bem na fotografia enquanto abrem caminho para a eventual ascensão da extrema direita.

4 — A esquerda oscila entre Haddad e Ciro e, dependendo de como mover as peças na atual etapa (abrindo ou fechando as portas para uma coligação inteligível ao povão na segunda rodada), poderá ganhar as eleições ou se ferrar.

Homero Fonseca é jornalista, blogueiro e escritor. Foi editor da revista Continente (2000–2008). Autor do romance "Roliúde" (Record, 2007), entre outros livros.