Foto: Assessoria 1b6117d0 97b1 4a16 8dad 313eae4559f8 Hemerson Casado

Em nota encaminhada à imprensa, o médico e candidato a deputado federal Hemerson Casado, portador da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), denunciou que, além do drama de conviver com uma doença incurável, os portadores da ELA  também passam pelo dilema de sobreviver com a falta do único remédio disponível na rede pública do Estado, capaz de estender a vida do paciente: o Riluzol.

Os pacientes denunciaram o caso ao médico, ativista em defesa dos direitos dos portadores da ELA, que não estão tendo acesso ao medicamento desde o mês de agosto deste ano. 

"O Riluzol é um composto químico que pode aumentar a expectativa de vida do paciente. É o único remédio disponível na rede pública para os portadores da ELA. O paciente recebe uma caixa com 60 comprimidos a cada três meses. No penúltimo mês, o tratamento é renovado com acompanhamento médico. No entanto, desde o mês de agosto, os pacientes que procuram à Farmácia de Medicamentos Excepcionais (FARMEX) em Maceió, só recebem a negativa", explicou. 
  
A paciente Elza de Araújo Neves, de 49 anos, que é professora aposentada e moradora do Clima Bom em Maceió, tem a doença há quatro anos e, a única pessoa que a ajudava financeiramente faleceu há três meses: seu marido.  Desde então, ela se sustenta apenas com o salário mínimo e não tem condições de bancar o tratamento, precisando, assim, dos serviços da rede pública. “Não tenho cuidadores, preciso de ajuda para fazer atividades diárias e o único apoio que tenho no momento é do meu filho, de 13 anos”, afirma a paciente. 

Acrescentado às dificuldades financeiras e de saúde, o Riluzol não chega às suas mãos há um mês. Ela ressalta que isso já aconteceu antes. “Não é a primeira vez que isso acontece. Não sei o que fazer. Estou sem chão. Fui lá [farmácia] várias vezes e eles nunca me dão uma posição. É um descaso total do governo. Quero ver se faltasse medicamento para as outras doenças. Eu mereço ser respeitada. Não estou me sentindo bem”, desabafa a paciente aos prantos. 

Outro paciente, que preferiu não se identificar, em conversa com Dr. Hemerson afirmou que está há dois meses sem receber a droga e, quando liga para a farmácia, não dão previsão de quando o local será reabastecido pelo remédio. “Eles pedem para aguardar, mas não dizem quando”, confirma o paciente. 

Hemerson Casado luta desde 2012 para que pacientes tenham acesso a tratamentos adequados, ouviu aos apelos e relembrou do ano de 2016, quando os pacientes ficaram desabastecidos do medicamento de alto custo. Naquela época, em carta aberta, ele cobrou do Governo de Renan Filho que os medicamentos fossem entregues aos pacientes. “Não posso mais lutar e ver o governador do estado encurtando a minha vida e a de tantos outros pacientes”, desabafou na época, quando ainda era filiado ao MDB, mesmo partido do governador Renan Filho. 

“Mais uma vez o governo deixa faltar o único medicamento que retarda a vida dos pacientes portadores da Esclerose Lateral Amiotrófica. Hoje é tão inadmissível que falte insulina para diabéticos e anticonvulsivantes para epilépticos, como também é inadmissível que se falte Riluzol para portadores da ELA”, afirma Hemerson.

Em sabatina veiculada pela TV Gazeta na terça-feira, dia 11, Renan Filho se esquivou ao ser questionado sobre a falta de medicamentos na Farmex. Segundo a TV Gazeta, há denúncias de que pacientes com autismo e alzheimer não estão recebendo o remédio, muitos deles, há seis meses.

*Com Ascom Hemerson Casado