Foto: Reprodução/Instagram Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Samanta antes e depois do transplante

Diagnosticada com síndrome degenerativa progressiva, durante dois anos e meio a vida da alagoana Samanta Figuerêdo, 23 anos, ficou na fila de espera por um novo pulmão. Como o transplante de pulmão é um dos  mais delicados e não é feito em Maceió, as opções se tornaram restritas. Mas isso não tirou da alagoana a esperança e a fé de que um dia acharia um órgão compatível com o seu corpo.

Em setembro de 2017, Cada Minuto mostrou os desafios de Samanta e a ansiedade pela espera de um novo órgão. A jovem precisou se mudar para São Paulo e entrou na fila de espera já que em Maceió não é realizado o transplante de pulmão. A medida em que os dias iam passando, a expectativa aumentava.

Um ano após a reportagem, Samanta encontrou um doador no "Setembro Verde" [que ressalta a importância da doação de órgãos]. Para ela, os dois anos e meio foram marcados por ansiedade e angústia. "Cada vez que o telefone tocava e era um número desconhecido ficava aquele silêncio mortal de 'será que é agora?', mas no fim era sempre a cobrança do cartão de crédito", brincou.

Samanta contou que chegou a ser chamada para receber um novo pulmão, mas que o órgão não estava em boas condições. Mas isso não abalou a sua fé que o seu dia chegaria. Em setembro deste ano, a alagoana recebeu um telefonema que mudaria sua vida. "Meu namorado disse que tinham encontrado um doador. Eu não acreditei", falou.

Samanta tatuou um pulmão nas costas. Foto: Arquivo Pessoal

Após receber o transplante, Samanta disse ser uma nova mulher. Ela contou ao Cada Minuto que após a doação finalmente descobriu o que significava respirar. Para ela, o que mais a marcou foi não "sentir e ouvir o chiado no peito por causa da secreção cumulativa pela doença". "Agora, sim, eu sabia o que era respirar como outras pessoas", destacou a jovem.

Agora, a vida de Samanta ganha um novo rumo. Com um pulmão saudável, ela volta a estudar Letras-Inglês [que tinha trancado por causa da doença]; vai continuar a aula de Clarinete [instrumento de sopro] e vai participar de eventos esportivos como corridas e caminhadas em prol da doação de órgãos.

Números baixos em Alagoas

O número de doações de órgãos e tecidos ainda é considerado insuficiente em Alagoas devido à rejeição de algumas famílias em autorizar o processo.

De acordo com dados da Secretaria de Saúde do Estado (Sesau), em 2017 foram realizados 134 transplantes, sendo 109 de córneas, 19 rins e 6 de coração.

Já em 2018 [até o dia 10 de setembro] foram feitos 63 transplantes de córneas, 18 rins e 4 de coração.

Na fila de espera, segundo a Sesau, há 188 pessoas esperando pelo transplante de córnea, 2 para coração e 241 rins.

Como funciona o transplante?

A Organização de Procura de Órgãos (OPO) funciona no Hospital Geral do Estado (HGE) e conta com uma equipe multiprofissional, que diariamente faz uma pesquisa sobre os casos de óbitos nos hospitais de Alagoas. Quando é detectada uma vítima que teve morte encefálica, os profissionais procuram a família para verificar a possibilidade de os órgãos serem doados.

Se a resposta for positiva, serão realizados no paciente três exames num intervalo de seis horas, atendendo ao Protocolo de Morte Encefálica do Conselho Federal de Medicina (CFM). Após o período determinado de espera, é iniciado o processo de retirada dos órgãos para que o transplante seja realizado.

Algumas pessoas ainda são contra a doação de órgãos. Mas para Samanta, a doação salvou sua vida e a deu possibilidades de construir novos sonhos.

"Agora eu sou uma pessoa bem vivida com sonhos que serão realizados graças ao sim que eu recebi da minha família doadora. Sem ela, nada seria possível. Toda dor pós cirurgia será recompensada por toda a felicidade que vem depois... a minha família doadora me deu a chance de viver. Dia 11 de setembro de 2018 é meu aniversário de um mês de transplante e sou grata a isso", finalizou a alagoana.