Vida saudável na terceira idade: ações do presente com reflexos no futuro

  • Maria Maia* e Polyana Lima*
  • 27/08/2018 08:26
  • Especiais
Reprodução web
Ilustração

Boa parte da população quer ter o corpo da moda e adentrar nos padrões de beleza da sociedade. Há quem tenha uma rotina de treinos por estética ou quem busca uma academia na tentativa de obter uma qualidade de vida melhor por questões de saúde.

Sabemos que são muitas as novidades e que as academias são muito sedutoras, além de proporcionar muitas promessas para adquirir cada vez mais clientes. Mas, quando o assunto é a idade, muita gente acha que só quem é novo pode treinar. No entanto, o público da terceira idade procura cada vez mais estar por dentro da vida fitness.

A atividade física, em geral, melhora o bem-estar, a força muscular, o sono e a disposição. Além disso, auxilia na perda de peso, diminui os riscos de ataque cardíaco e ainda ajuda no controle da ansiedade, depressão e estresse.

Já a prática de exercícios físicos na 3ª idade traz benefícios tais como o controle da pressão arterial, a melhora da capacidade cardiovascular, respiratória, amplitude da mobilidade e a prevenção de alguns tipos de câncer. Pensando nisso a reportagem do Portal CadaMinuto fez uma matéria especial a respeito do assunto.

Atividade física x Idade

Aos 69 anos de idade, Maria Benedita Jacinto dos Santos adotou a atividade física como parte de sua rotina. Antes de aderir à nova prática, há cerca de cinco anos, ela conta que sentia fraqueza e dores nas pernas até que tomou a decisão de fazer ginástica e musculação. Com os exercícios, a idosa sentiu um progresso em seu corpo e sua saúde.

“Já senti uma melhora durante a caminhada, pois antes não aguentava andar mais que 10 metros. Hoje, na academia, ando vinte minutos na esteira e pedalo mais vinte minutos na bicicleta”, relata Maria Benedita.

A idosa explicou que, na juventude, praticava atividades físicas como a ginástica rítmica e caminhada. Porém, Maria teve um problema na região da coluna e teve que abandonar os exercícios já que não conseguia mais caminhar. Maria conta como decidiu, já na terceira idade, mudar os hábitos dos últimos anos.

“Antes, eu nunca tinha tempo pra mim. Sempre tinha prioridades na frente. Até que eu disse ‘não, vou determinar um horário para eu fazer as coisas para mim’. Eu sabia que eu estava ficando fraca, sentido dores nas pernas e não aguentava. Assim, tomei a decisão de fazer ginástica”, explica Maria.

Segundo o profissional de Educação Física, Thales Almeida, de 28 anos, hoje em dia não é preciso muita coisa para atrair os idosos para participar de atividades físicas. Além disso, ele conta que os grupos da terceira idade nas academias tende a aumentar cada vez mais na prática de atividades físicas, muito pela necessidade de obter uma melhora na qualidade de vida relacionada à saúde. Além disso, ele revela que a terceira idade é um dos melhores grupos para se trabalhar.  

De acordo com o professor, os treinos são preparados especialmente para cada aluno de acordo com os casos e durante os treinos a terceira idade exige uma atenção maior devido à fragilidade que vem junto com a velhice. “É algo que precisa ser feito sempre de perto. Fazendo as devidas Correções posturais, e trabalhar muito a parte técnica para não implicar em possíveis lesões.”


Atenção e Fragilidade

“A Terceira idade faz parte dos grupos especiais que requerem um cuidado e atenção diferenciada. Devido à fragilidade articular e os demais problemas que o envelhecimento traz. A grande maioria dos idosos surge com quadros delicados, de acordo com a fragilidade referente à idade. Sendo assim, a intensidade do trabalho nos exercícios devem ser controlados de leves/moderados. Sempre de acordo com a necessidade de cada um, respeitando a individualidade. Atividades e exercícios são sempre adaptados e feitos num volume e intensidades menores para não causar impactos ou danos. O avanço tem que ser de forma gradual.”, ressaltou Thales.  

O professor disse ainda que a terceira idade é um grupo que tende a ser mais frágil devido ao envelhecimento, e tudo que acarreta. Existe a "Sarcopenia" que é a perda gradual de massa muscular, que acontece com os idosos e que implica na perda de força para realizar as atividades diárias em casa. Sendo assim, de acordo com Thales, é preciso trabalhar o fortalecimento muscular nos treinamentos, e a flexibilidade também. Devemos controlar a intensidade e o volume do treinamento, trabalhar com carga não tão altos e sempre preservando as articulações.

Motivação

Com relação à forma de atrair os idosos à prática esportiva, Thales orienta que o ambiente seja descontraído e faça o aluno se sentir bem. “Para que eles se sintam motivados a entrar em academia ou qualquer que seja a atividade, é preciso oferecer a eles [os alunos] algo que seja pra cima, animador, que os façam se divertir ao mesmo tempo em que se exercitam”, explicou.


Em relação aos exercícios mais recomendados, o professor afirma que varia muito de acordo com cada caso. No entanto, os exercícios multiarticulares tendem a ser os mais seguros e efetivos. “Exercícios que envolvam os grandes grupos musculares, como o agachamento (de forma parcial), exercícios que envolvam puxada e remada.  Seja com sobrecarga ou apenas de forma livre. E trabalhar a parte aeróbica, através de treinamento cardiovasculares, cardiorrespiratórios... Seja na água ou em alguma atividade que seja segura e animada (como a dança)”, disse.


Desafio

Thales afirma que o mais complicado para os idosos durante a adaptação a prática esportiva é a convivência com as dores.


“O enfraquecimento da musculatura e fragilidade nas articulações, além de Problemas relacionados ao coração, um dos problemas mais presentes na maioria dos casos. E isso faz com que eles tenham uma dificuldade a mais para realizar as atividades. Por isso, é algo que precisa ser levado em consideração e é um dos motivos da atenção redobrada com esse grupo especial.”, justificou.


Benefícios da atividade física


Conforme o professor, a prática da atividade física traz consigo inúmeros benefícios. Através deles é possível promover melhora na qualidade de vida relacionada a saúde. Proporcionando avanço nas vertentes da aptidão física. Como a força, flexibilidade muscular. Equilíbrio, coordenação, melhora no condicionamento físico e cardiorrespiratórios. Todos esses fatores contribuem para uma melhora no dia-a-dia, na realização de tarefas no cotidiano, devolvendo a funcionalidade deles, e os deixando mais "vivos" e independentes.

Alimentação e nutrição

O nutricionista Gléverson Lima explica que, devido a idade avançada e ao condicionamento físico, deve ser feita uma restrição e reeducação alimentar. “Os cuidados são com os industrializados, frituras, açucarados e alimentos que prejudicam o trânsito intestinal antes da atividade física, como as fibras. Há também o cuidado quanto aos suplementos que, às vezes, fazem uso por conta própria quando nem sempre é necessário”, explica o nutricionista.

Já no primeiro mês de adaptação alimentar e física, Gléverson conta que é possível notar um resultado no paciente, tanto na composição corporal, como na melhora do organismo e das funções do corpo. Porém, a melhora só ocorre a partir do ajuste do plano alimentar e da dedicação do aluno.

O nutrólogo também informa que a procura ainda é baixa, pois muitas pessoas acreditam que, devido às suas limitações, o idoso não pode praticar atividades físicas. Entretanto,esse tipo de pensamento não condiz com a realidade, pois a prática de exercícios estimula a funcionalidade do corpo.

Mas nada de sair pegando pesado por aí! Principalmente no início, quando o corpo ainda está se adaptando à nova rotina. É preciso aliar uma dieta equilibrada e bom senso. “Qualquer estímulo para o corpo, ele já reage de forma positiva, trazendo benefícios para a saúde e, conforme a evolução, os profissionais envolvidos vão ajustando tanto a atividade física como o plano alimentar”, explica Gléverson.

Diversos cuidados são necessários na alimentação do idoso, como fazer todas as refeições do dia e com uma frequência maior, diminuir a quantidade de alimento por refeição, se alimentar antes e depois dos exercícios físicos, além de ingerir chás e frutas nos intervalos das principais refeições.

Ainda de acordo com o nutricionista, alguns alimentos são mais indicados para a dieta na terceira idade. “É interessante inserir na dieta alimentos antioxidantes que retardam o envelhecimento e combate radicais livres; alimentos ricos em vitamina C e selênio, como as frutas cítricas, as oleaginosas como castanha, amêndoas, noz. E, claro o bom e velho carboidrato nas suas melhores fontes: alimentos integrais, raízes como inhame, macaxeira e batata. E as fibras também são importantes para melhorar o trânsitos intestinal e se policiar no consumo adequado de água”, informa Gléverson.

Contudo, os benefícios da atividade física de um modo geral, mas principalmente, na terceira idade, são tantos que não dá para ficar parado! E você? Já se exercitou hoje? Tá esperando o quê para começar a ter uma vida saudável?

*Estagiárias sob supervisão da editoria