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Em uma nota na Coluna Labafero, o prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), falou sobre as ausências das lideranças tucanas na convenção partidária ocorrida no início desse mês. Sobre a fala de Rui Palmeira publicada na imprensa, um comentário óbvio: o prefeito busca aparar arestas, mas parece também sentir o desconforto de ter que apoiar o senador Fernando Collor de Mello (PTC) ao governo do Estado.

Esse desconforto permanece entre os tucanos de forma visível. Nem analiso o mérito. Mas, o ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) foi enfático: não vota em Collor em hipótese alguma.

O deputado estadual e candidato ao Senado Federal, Rodrigo Cunha (PSDB) – que está na chapa – não se fez presente na convenção. Além disso, disse até que houve movimentos para tirá-lo da disputa, o que foi rebatido por outro membro da chapa: o deputado federal e postulante à reeleição, Arthur Lira (PP).

Rui Palmeira coloca, como se diz no popular, “panos quentes”. Afinal, foi ele o articulador tucano do PSDB no processo. Pesou, evidentemente, as questões pragmáticas de uma eleição: agrupar os candidatos tucanos em um espaço onde teriam chances de se reeleger. Rui Palmeira agiu pelos interesses partidários e sabe que há ônus e bônus, mas – do ponto de vista do xadrez político – acertou com os seus.

Porém, fica visível: a dificuldade que o PSDB tem hoje de apresentar um discurso sólido para justificar a posição que escolheu. De um lado, as insatisfações internas de suas “estrelas” no processo. Do outro, o enfraquecimento do partido que começou desde o momento em que Rui Palmeira desistiu de ser candidato ao governo do Estado. Repito o que já disse em outras postagens: não pelo fato de Palmeira ter desistido, mas pela forma como se deu a desistência.

Rui Palmeira enfraqueceu o bloco. Isto gerou a saída do PR do deputado federal e candidato ao Senado, Maurício Quintella Lessa. Isso deixou sem alternativa alguns de seus aliados e inviabilizou candidaturas, como a de José Thomaz Nonô (Democratas). O PSDB que era protagonista, virou coadjuvante ao sabor das circunstâncias. O protagonista da articulação passou a ser o PP do senador Benedito de Lira e de Arthur Lira.

O que restou ao ninho tucano? Engolir seco.

Por isso o discurso morno de Rui Palmeira. O prefeito precisa ser confrontado com uma pergunta simples e direta: “o senhor vai estar ao lado de Fernando Collor no palanque?”. Sequer para a convenção Rui Palmeira foi. Ele é o presidente do PSDB. Logo, uma das ausências mais sentidas.

Então, quando a nota da Coluna Labafero diz que Rui Palmeira evita “comentários diretos”, diz também que a insatisfação permanece. Que a casa não está unida, que o foco do PSDB foi meramente eleitoral. Então, Rui Palmeira, não é que “teve muitos desacordos internos”. O verbo correto deve ser aplicado no presente: “tem muitos desacordos internos”. Tanto é assim que a candidatura de Rodrigo Cunha é quase uma candidatura avulsa.

Tanto é assim, novamente, que Collor não é citado pelos tucanos. Tanto é assim, mais uma vez, que o candidato a vice-governador, o vereador Kelmann Vieira (PSDB), que é aliado de Rui Palmeira e homem de confiança dele, saiu do palanque na hora dos discursos, causando desconfortos. Mas, até aqui, Vieira é o único tucano a erguer o braço de Collor e afirmar: “meu candidato”. Os demais fazem a mesma cara de paisagem que Rui Palmeira tem feito.

O PSDB entra nesse processo eleitoral de forma nanica. Sequer consegue defender em praça pública a posição que tomou. E o pior: nessa mesma praça pública, alguns de seus membros expõem a roupa suja. Isso pode refletir na majoritária? Sim.

Quanto a Collor, bem: a biografia do senador e ex-presidente deixa clara, por si só, os motivos do desconforto. Pesa o impeachment, a Operação Lava Jato, o fato de ter sido um rival de Teotonio Vilela Filho, de ter criticado os tucanos por muito tempo etc. Mas, biografias pesadas não são exclusividades nesse pleito, que o diga o senador Renan Calheiros (MDB).

Entre os tucanos, quem mais sente isso é Rodrigo Cunha. Afinal, sua estratégia é reagir ao estamento posto...porém, foi obrigado a estar dentro dele.

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