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Ter inglês fluente e vivência no exterior são exigências cada vez mais comuns das empresas. Programas de intercâmbio que oferecem trabalho para universitários no exterior durante as férias são uma oportunidade de turbinar o currículo, conseguir a tão sonhada “fluência” no inglês e ainda conhecer uma nova cultura. Porém, quem pretende embarcar ainda em 2009 precisa correr, pois as inscrições encerram entre outubro e dezembro.

O valor pago pelos serviços das agências que oferecem as vagas de trabalho no exterior chega a US$ 2.398 (sem passagem inclusa) por um período de até quatro meses de trabalho - segundo pesquisa feita com algumas empresas pelo G1.

 

Os salários chegam a cerca de US$ 1,6 mil por mês – do total, parte será gasta com alimentação e estadia. As agências recrutam os candidatos para as empresas no exterior, além de auxiliá-los com a documentação necessária e a retirada do visto.


Os Estados Unidos são o principal destino para a modalidade de intercâmbio com trabalho para universitários. Isso porque a embaixada dos Estados Unidos no Brasil permite que universitários brasileiros trabalhem naquele país por quatro meses no final do ano, entre novembro e março. O programa prevê ainda um mês livre depois do trabalho para o estudante conhecer o país.


Também há intercâmbios para outros países, como Canadá, Austrália e China, mas eles não são nos moldes de trabalho nas férias para universitários como o dos EUA. São programas de estágios, trainees ou au pair (babá), entre outros, que podem ser feitos durante o ano todo.


A embaixada norte-americana não tem números sobre quantos estudantes brasileiros viajam por ano para os EUA pelo programa de trabalho nas férias, entretanto, segundo levantamento feito pelo G1 com algumas agências, em 2009 há pelo menos 3 mil vagas abertas – o número caiu pelo menos 20% em relação a 2008 por conta da crise financeira global, que afetou muito os Estados Unidos.

 

Os interessados precisam ter entre 18 e 30 anos (depende da agência recrutadora), ter inglês a partir do nível intermediário e estar na universidade. Há agências que aceitam candidatos que estejam na pós-graduação.

 

Programas

As viagens para universitários trabalharem nas férias nos EUA (com vagas inclusas) custam de US$ 1.490 a US$ 2.398 (sem passagem inclusa) entre as agências pesquisadas pelo G1.

As vagas são para o setor de turismo, como hotéis, restaurantes, parques temáticos, estações de esqui, resorts e lojas. Há oportunidades para todos os estados norte-americanos. Os cargos são para vendedores, garçons, cozinheiros, camareiras, auxiliar de garçons e auxiliar de limpeza, entre outros.

 

O interessado também pode encontrar um emprego no exterior por conta própria. É preciso procurar as vagas em sites internacionais, como o www.jobmonkey.com ou www.monster.com, indicados pela agência Experimento Intercâmbio Cultural.

 

Nesses casos, as agências de intercâmbio prestam serviços de assistência com a documentação e checam se a vaga conseguida é confiável, mas é preciso pagar pela ajuda. Na Experimento, o serviço custa US$ 900 e precisa ser contratado até o final de outubro para quem quer viajar ainda neste ano.


Currículo

Para os jovens, o trabalho no exterior é uma oportunidade de ter contato com uma nova cultura, ter a experiência de arcar com as próprias despesas e um primeiro emprego (uma vez que não é exigida experiência anterior), além de treinar o inglês, afirma Emília Miguel, gerente de produto da agência Experimento Intercâmbio Cultural.

 

O trabalho nas férias não é, entretanto, uma opção para quem só quer ganhar dinheiro. Isso porque, com o salário que receber, o estudante terá de arcar com os custos de moradia e alimentação, explica a gerente de trabalho e estágio da Central de Intercâmbio (CI), Gisele Mainardi.


Muitos estudantes se hospedam em albergues ou em casas de família. Há também empresas que oferecem moradia durante o programa.


Pela segunda vez

Entre dezembro de 2008 e abril de 2009, o universitário Alexandre de Oliveira Cerveira, 20 anos, trabalhou como auxiliar de garçom em uma ilha paradisíaca da Carolina do Norte, a Hilton Head Island. Em dezembro deste ano, ele embarca de novo para trabalhar no mesmo lugar.

 

Morador de São Paulo (SP), o estudante de hotelaria afirma que a experiência conta como horas de estágio na faculdade.

Alexandre explica que manteve contato com o pessoal da ilha depois de voltar para o Brasil, o que o ajudou a conseguir a vaga novamente este ano. “Vale muito a pena trabalhar no exterior. É uma ótima experiência”, afirma. O universitário disse que entre suas tarefas estava tirar pratos das mesas e ajudar as pessoas a sentarem.

Ele cita que, além de ter contato com uma cultura diferente e poder colocar a experiência no currículo, a viagem proporciona amadurecimento tanto profissional quanto pessoal. “Você tem liberdade, mas está tudo em suas mãos, os horários de trabalho e as responsabilidades”, disse.

O estudante diz que, nos dias de folga, aproveitou para conhecer o país. “Fui para lugares como Nova York, Alabama, Geórgia e Orlando.” Em 2009, o objetivo de Alexandre é juntar dinheiro para estudar na Espanha no ano que vem. “No ano passado eu fui para curtir. Neste ano, vou guardar o que ganhar”, disse.

 

Outras vagas

Para quem pretende trabalhar por mais tempo no exterior, há programas de estágio, trainee ou au pair (babá), que são mais longos, podendo durar até um ano.


Um exemplo é programa de trainee e estágio no parque Six Flags, em Nova Jersey (EUA), que está com 70 vagas abertas para estudantes ou graduados nos cursos de hotelaria, turismo, gastronomia, administração de empresas, gestão de negócios ou marketing.

 

É preciso ter entre 21 e 35 anos e possuir inglês avançado. A duração do programa é de oito meses (com partida em março) e o preço para os selecionados é de US$ 2.280 (não inclusa a passagem). As candidaturas podem ser feitas até o dia 15 de novembro na Experimento Intercâmbio Cultural.


Outro exemplo é o intercâmbio de trabalho na China. Há vagas tanto para estudantes como para profissionais formados ou com experiência em diversas áreas de atuação. O programa custa a partir de US$ 908 (não inclusa a passagem) e dura de três a seis meses. É preciso ter inglês fluente. As inscrições podem ser feitas na STB.


Há também outras oportunidades que podem ser conferidas nas agências de intercâmbio de todo o país. A relação está no endereço www.belta.org.br/empresa_associada.asp.


Cuidados

A Brazilian Educational and Language Travel Association (Belta), associação do setor de intercâmbio, recomenda que, antes de viajar, o estudante procure uma entidade associada. Segundo a Belta, as associadas passam por avaliações periódicas

A Belta também alerta que é preciso conhecer todas as regras do programa antes de embarcar, como verificar as condições de acomodação e quantidade de horas que se vai trabalhar. Outro fator importante é saber que o programa não vai render rios de dinheiro, pois o salário é apenas para bancar os gastos durante a viagem.