Ilustração Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Urna Eletrônica

A eleição fora de hora para governador do Tocantins fez meio mundo escrever sobre o alto índice de abstenção. Nada menos de 30% dos eleitores não compareceram às urnas. Já os votos nulos e brancos passaram dos 18%. Meu Deus, que coisa horrível, dizem os patriotas interessados em dias melhores para o país. Será que as eleições de outubro também vão registrar esse grau de desinteresse do cidadão pelos candidatos? Provavelmente, sim. Novidade? Nenhuma.

 

Faz tempo que as disputas eleitorais no país registram, a cada dois anos, a ausência cada vez maior do eleitor. O mesmo ocorre em outros países. A Colômbia acaba de sair do primeiro turno na escolha para o novo presidente. 53% dos colombianos marcaram presença. Ou seja, uma abstenção de 47%. Por lá, eles estão comemorando o índice de comparecimento. Em 2014, foi menor.

 

Na Colômbia, nosso vizinho de continente, o voto não é obrigatório. É o que deveria ser adotado no Brasil. Afinal, votar é um direito e, sendo assim, o sujeito deve ser livre para decidir se vai ou não empenhar seu tempo para apoiar este, aquele ou nenhum candidato. A conversa segundo a qual a sociedade “não está madura” para decidir sobre isso se baseia na fantasia de supostos iluminados.

 

Voltando ao Tocantins, houve sim uma ótima notícia por lá. Os eleitores desprezaram a candidatura do ex-juiz Marlon Reis, que ficou em quinto lugar, com 9% dos votos, muito, mas muito longe do segundo turno. Para quem não lembra, o doutor é uma das mentes por trás da Lei da Ficha Limpa, a mãe de todas as violações constitucionais que viraram moda no Brasil da Lava Jato.

 

Achei esse dado muito especial. Como todos sabemos, os senhores togados e os menudos do Ministério Público Federal decidiram que têm a chave para salvar o país. Basta que a gente dê carta branca para eles, que tudo se resolve. Parece que os tocantinenses não caíram nessa. Mais do que lamentar a abstenção e os votos nulos, saúdo a percepção do eleitorado. Isso foi um bom aviso.

 

Em Alagoas, continuamos com um governador quase reeleito. E com uma eleição para o Senado que tem tudo para ser bem mais animada. Mas a Copa está chegando aí. Alguma novidade ainda pode pintar nos quatro meses até a votação. Por mim, o voto seria facultativo. Sendo um direito, reitero, cabe ao indivíduo decidir se, no domingo, sairá de casa para teclar na urna. É mais civilizado.